A probidade refere-se a uma característica ou qualidade das pessoas portadoras de virtudes como a honestidade, a integridade e a retidão. Pode ainda ser definida como a observância exata e constante dos deveres da justiça e moral. O homem de probidade é, assim, aquele que preza positivamente todos os serviços ou benefícios que pede, tanto ao seu semelhante ou à humanidade, em geral, como ao seu próximo, em particular.
A probidade diz-se moral, mercantil ou política, segundo o seu objeto e os motivos que a determinam. A probidade moral consiste no regular e sincero procedimento do homem de bem, fundado no ditame da sua consciência e no amor do bem geral. A probidade mercantil contempla o procedimento exato e pontual do artífice ou fabricante, do cultivador, do homem que compra ou vende, do agente de qualquer ramo de indústria, a fim de obter o crédito e as vantagens que dali se prometem. Por último, a probidade política refere-se ao agir regular e exato do funcionário público na observância das leis sociais, a fim de obter a estima da opinião pública.
Só merece propriamente o nome e qualificação de “homem de bem”, “honesto” ou “de probidade” o indivíduo que cumpre fielmente os deveres da justiça e da moral universal, por efeito do seu bom carácter, por motivos de consciência ou por amor à ordem e ao bem geral, e não por amor ao dinheiro ou pelo interesse mercantil, nem por ambição, amor ao poder ou qualquer consideração política. O prémio que mesmo nesta vida compete ao homem de bem, honesto, probo ou moral, porque tudo são sinónimos, é a aprovação e testemunho da sua consciência, a paz e a satisfação interiores, a boa reputação e a estima das pessoas de bem que o conhecem e, finalmente, a esperança da vida eterna, ou bem-aventurança, fundada na convicção da imortalidade do Homem e da infinita bondade do Criador.
O homem imoral, ou sem probidade apenas, comete qualquer ação contrária ao seu dever e é logo castigado pelo remorso. Tarde ou cedo, a sua culpa faz-se conhecida, e então segue-se-lhe também a desonra, que é uma pena imediata que se acumula à primeira. Chama-se “remorso” àquela acusação que nos faz a nossa consciência pelas ações imorais que havemos praticado com conhecimento de causa, acusação que nos persegue enquanto vivemos. A desonra, ou vergonha, consiste na reprovação e no desprezo das autoridades constituídas ou das pessoas de bem logo que lhes consta que o nosso procedimento não foi conforme às regras da honestidade ou da probidade moral.
O remorso e a desonra, ou vergonha, são os castigos mais temíveis e as maiores desgraças que podem acontecer ao Homem nesta vida. O homem honesto, ou de probidade, sempre vive de consciência tranquila, porque não sofre os remorsos, que é o maior de todos os males morais, e goza da estima das pessoas de bem, que, depois do testemunho da consciência, é o maior dos bens.
Bibliog.: CASTRO, Filipe Ferreira Araújo e, “Probidade moral, política e mercantil”, O Panorama – Jornal Literário e Instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, n.º 101, 7, 1843.
João Bartolomeu Rodrigues