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Autómato

Do gr. αὐτόματος (autómatos) sc. αὐτοματισμός (automatismós), designa o que quer que seja que se move por si mesmo, de forma espontânea, sem que seja necessário a intervenção de algo de outro. As noções podem ser aplicadas aos seres humanos, para exprimir as ações feitas por iniciativa própria (v.g. HOMERO, Ilíada, V, 749); mas podem também caracterizar agentes naturais, como os rios, que se enchem e vazam sem que ninguém tenha de fazer algo para isso (v.g. HERÓDOTO, Historiae, 2, 14), objetos inanimados, como é o caso dos portões do Olimpo, que se abrem por si próprios (HOMERO, Ilíada, V, 749), ou eventos não provocados, i.e., que se dão sem interferência ou causa exterior – assim, por exemplo, αὐτόματος θάνατος (autómatos thánatos) significa a morte natural (DEMOSTHENES, De Corona, 18, 205). A carga semântica de autómatos e noções afins está igualmente associada à ideia de acaso – Αὐτοματία (Automatía), por exemplo, é a deusa do acaso ou da fortuna – e, num sentido mais “técnico”, exprime justamente aquilo que se dá por acaso, de forma fortuita ou acidental (cf. v.g. ARISTÓTELES, Physica, 195b33).

 

Bibliog.: BAILLY, A., Dictionnaire Grec-français, Paris, Hachette, 2000, sub vocibus; CHANTRAINE, P., Dictionnaire Étymologique de la Langue Grecque. Histoire des Mots, t. i, Paris, Éditions Klincksieck, 1968, p. 143; FRISK, Hjalmar, Griechisches Etymologisches Wörterbuch, vol. i, Heidelberg, Carl Winter, 1960, p. 191; LIDDELL, H. G. et al. (ed.), A Greek-English Lexicon, Oxford, Clarendon Press, 1996, sub vocibus; PASSOW, Franz, Handwörterbuch der Griechischen Sprache, I, 1, Leipzig, Vogel, 1841, sub vocibus.

 

Samuel Oliveira

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