Do gr. ἀξίωμα (axíoma), significa originalmente o valor ou a qualidade, por oposição ao número ou à quantidade (v.g. TUCÍDIDES, Historiae, 5, 8, acerca de um exército). Particularmente a respeito de pessoas, designa o prestígio, a consideração, honra, estima, a (boa) reputação – o ser tido em alta estima, por exemplo, pelos concidadãos (Idem, ibidem, 1, 130). Mas, neste sentido, podem também ser “axiomas” as “coisas” (v.g. o casamento como honra recebida por um determinado feito, cf. EURÍPIDES, Ion, 62) e os “valores” (v.g. ORÍGENES, Selecta in Psalmos, 4, 6, in MIGNE, 12, 1160B: τὸ ἀξίωμα τῆς ἀρετῆς [o prestígio da virtude]). Axíoma está igualmente associado à ideia de dignidade, excelência, exprimindo e.g. alguém que tem uma posição ou um estatuto elevado. Em contexto teológico, esta ideia aparece a referir a majestade/dignidade de Deus (cf. Idem, 26, 733B) ou de Cristo (cf. Idem, 25, 465A). Axíoma também pode significar aquilo que se julga apropriado/correto e a resolução, determinação, decreto; no Édipo em Colono (1451-1452), por exemplo, fala-se do decreto dos deuses (ἀξίωμα δαιμόνων [axíoma daimónon]), e no De Corona de Demóstenes, a palavra axíomata (pl.) significa os princípios, as “máximas” ou determinações políticas (cf. JEBB, 2010, 222-223). Num contexto científico, o termo significa aquilo que se assume como base de uma demonstração ou um princípio evidente a partir do qual se leva a cabo uma demonstração (v.g. ARISTÓTELES, Metaphysica, 997a7, 1005b33; Idem, Analytica posteriora, 72a17).
Bibliog.: BAILLY, A., Dictionnaire Grec-français, Paris, Hachette, 2000, sub voce; LAMPE, G. W. H., A Patristic Greek Lexicon, Oxford, Clarendon Press, 1961, sub voce; JEBB, Richard Claverhouse (ed.), The Oedipus Coloneus, Cambridge, Cambridge University Press, 2010; LIDDELL, H. G. et al. (ed.), A Greek-English Lexicon, Oxford, Clarendon Press, 1996, sub voce; MIGNE, J. P. (ed.), Patrologia Graeca, vol. 12, Paris, s.n., 1862; Idem, ibidem, vol. 25, Paris, s.n., 1857; Idem, ibidem, vol. 26, Paris, s.n., 1857; PASSOW, Franz, Handwörterbuch der Griechischen Sprache, I, 1, Leipzig, Vogel, 1841, sub voce.
Samuel Oliveira