“Cisão” significa partir, dividir, romper, separar, clivar, e pode aplicar-se a muitas situações, designadamente a objetos ou a grupos de pessoas (partidos, associações religiosas, sociedades, etc.). A título de exemplo, em 1504 deu-se uma cisão na Igreja cristã: o “grande cisma” entre a Igreja Romana e a Ortodoxa.
Na química, o termo costuma aplicar-se à quebra de uma ou mais ligações químicas entre os átomos numa molécula, dividindo-a em duas ou mais partes. Na física, aplica-se à cisão nuclear, ou fissão nuclear. Neste processo, um núcleo atómico de grande massa decai espontaneamente, ou por excitação externa, partindo-se em dois ou mais núcleos mais pequenos, libertando algumas partículas (como os neutrões) e luz (radiação gama). São muitos os casos possíveis, mas, para ilustrar, atentemos na seguinte reação nuclear: n + 235U → 137Te + 97Zr + n + n, em que um neutrão n incide num núcleo de urânio-235, colocando-o num estado excitado, o que leva a que se cinda num núcleo de telúrio-137 e num núcleo de zircónio-97, sendo libertados mais dois neutrões. Estes dois neutrões libertados podem, por sua vez, atingir outros núcleos atómicos, provocando novas fissões e dando origem a uma reação em cadeia. Este tipo de reação ocorre nas bombas nucleares de cisão e, de forma controlada, nas centrais nucleares.
Bibliog.: RIBEIRO, Ricardo Mendes, Física XXI – Introdução à Física Contemporânea, São Paulo, Editora Livraria da Física, 2020.
Ricardo Mendes Ribeiro