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Cópula

A “cópula” é a palavra, cunhada pelo lógico Pedro Abelardo, que serve para ligar o sujeito e predicado de uma proposição categórica. Por exemplo, na proposição “Sócrates é mortal”, a palavra “é” está a estabelecer a ligação entre o termo sujeito (Sócrates) e o termo predicado (mortal). Além disso, nas proposições (i) “um homem é mamífero” e (ii) “Sócrates é um homem” a cópula permite que o termo “um homem” desempenhe o papel de sujeito na proposição (i) e o papel de predicado na proposição (ii). Mas o significado da cópula pode ser disputado e nem sempre é lido como identidade estrita ou como predicação. Para se ver isso, considere-se o seguinte silogismo sobre a Trindade: “Este Deus é o Pai; este Deus é o Filho; Logo, o Pai é o Filho”. De acordo com a lógica silogística, este argumento é válido (sendo classificado como “silogismo expositivo”). Além disso, as premissas são verdadeiras. Mas se o silogismo é válido e as premissas são verdadeiras, então a conclusão também é verdadeira. O problema é que, de acordo com a doutrina da Trindade, a conclusão é falsa (dado que o Filho não é a mesma pessoa que o Pai). Então, como resolver este problema? De acordo com Abelardo (1969), a cópula nas premissas deste silogismo deve ser entendida como “sendo da mesma essência” (identitas essentiae); desta forma, a conclusão já não é logicamente problemática; pois não se afirma que Filho é igual em propriedades (identitas proprietatis) ao Pai ou que são a mesma pessoa, mas sim que são da mesma essência divina. Em 1980, o filósofo Geach aplica à cópula uma leitura baseada na identidade relativa, para resolver problemas lógicos na referida doutrina da Trindade.

 

Bibliog.: ABELARDO, Pedro, Opera Theologica: Theologia Christiana, Corpus Christianorum, Continuatio Mediaevalis, vol. 2, Brepols, 1969; GEACH, Peter, Logic Matters, Berkeley, University of California Press, 1980.

 

Domingos Faria

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