O Banquete (escrito entre 385 e 375 a.C.) é um dos textos mais célebres de Platão, sendo composto por uma sucessão de discursos sobre o amor, essência da própria filosofia: amor da sabedoria.
No alinhamento dos discursos, Fedro elogia Eros como deus mais antigo, causador do melhor para o ser humano, que é o desejo de se superar.
Pausânias assinala o contraste entre o Eros divino, nobre e espiritual, e o terrestre, vil e puramente carnal.
Erixímaco defende Eros como princípio universal da natureza e das harmonias musicais.
Para Aristófanes, Eros significa o desejo de união e fusão do ser humano com a sua outra metade perdida e, logo, a recuperação da unidade primitiva.
Para Agatão, Eros é o mais jovem dos deuses, que emerge na alma, de cuja beleza procede todo o bem para os homens e para os deuses.
No seu discurso, Sócrates, apontando para a verdade e advertindo Agatão, considera fundamental a imperfeição de Eros, que é sinónimo de carência, sempre relativa a um objeto do qual está ou é suscetível de estar privado. Por isso, caracteriza-o a aspiração inquieta, e não a fruição serena da posse, tal como indica a lenda do seu nascimento de Poros e de Penia. Eros não podia ser de essência divina, nem o belo em si mesmo: ele é daimon, um poder intermediário entre o humano e o divino, o fenoménico e o ideal, a opinião e a sabedoria, e tende para o amor do belo e do bem; inspira aos corpos o desejo de se perpetuarem por meio da procriação e às almas o desejo de imortalidade. Eros estimula a alma a uma ascensão de aperfeiçoamento sempre acompanhada pelo lógos, no caminho que leva à sabedoria, desde a beleza dos corpos à visão da beleza da forma, das normas, das almas e, por último, à ideia do belo, que, conhecida mediante uma contemplação súbita, torna feliz quem a conhece.
A intervenção de Alcibíades centra-se não em Eros, mas em Sócrates e nas suas virtudes da alma: a temperança, a sua coragem e valentia no combate, em suma, tudo o que o legitima como protofilósofo, ao nível do próprio Eros, portanto, digno de ser seguido.
Com O Banquete, fica grafada esta conceção da filosofia como impulso amoroso que, elevando-se ao ser mesmo do belo, permanece amor e frutifica em plenitude.
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Carlos Bizarro Morais