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Temperamento

De acordo com o Diccionario de Psicología (DORSCH et al., 1985), o temperamento é a base biológica e psicológica das reações emocionais, atitudinais e comportamentais, influenciada por fatores genéticos e ambientais. Em termos psicológicos e espirituais, o conceito de “temperamento” designa as várias qualidades de carácter fisiológico e mesmo morfológico que fazem com que um indivíduo seja diferente de todos os outros. Por isso, estas qualidades individuais podem ser consideradas uma das bases do que chamamos o carácter de determinada pessoa, podendo acentuar-se ou modificar-se segundo o meio ambiente em que a pessoa desenvolve o seu ciclo vital.

O temperamento pertence, propriamente, à área da psicologia e define-se como “o conjunto de particularidades fisiológicas e morfológicas que diferenciam um indivíduo dos outros e formam uma das bases do seu carácter” (Dicionário de Termos da Fé). No entanto, as ciências não são estanques, pelo que podemos falar de “temperamento” também no contexto da teologia e da espiritualidade. Nestas, refere-se ao modo como as disposições naturais e as inclinações emocionais e psicológicas de uma pessoa se relacionam diretamente com a vida espiritual e a prática de fé cristã. De facto, o temperamento influencia o modo como a pessoa humana experimenta e exprime a própria fé, como se relaciona com Deus e com o seu próximo e como enfrenta os desafios morais e espirituais que a sociedade lhe apresenta.

A personalidade, o temperamento, afeta o modo como a pessoa enfrenta a espiritualidade. Assim, diferentes temperamentos podem levar a diferentes formas de experimentar e exprimir a fé na comunidade crente. Deste modo, alguém com um temperamento mais contemplativo tende a procurar os meios adaptados ao seu temperamento, como a meditação e a oração individual, enquanto alguém extrovertido pode sentir-se mais atraído por atividades comunitárias e celebrações coletivas. O temperamento afeta ainda o tipo de vocação ou chamamento espiritual que uma pessoa escolhe para si mesma, i.e., o modo como caminha na vida social e espiritual. Pessoas com um temperamento mais voltado para o social e para a compaixão pelos pobres podem sentir-se chamadas para o ministério pastoral ou serviço social, enquanto pessoas com um temperamento mais analítico, intelectual, são inclinadas para o estudo e o ensino teológico e espiritual. Assim, compreender o próprio temperamento ajuda a adaptar as práticas espirituais, a vocação e as decisões éticas às inclinações naturais do indivíduo, de modo a viver as experiências religiosas de uma maneira mais autêntica, harmoniosa e feliz.

 

Bibliog.: AA.VV., “Temperamento”, in Dicionário de Termos da Fé, Aparecida/Porto, Editora Santuário/Editorial Perpétuo Socorro, s.d., pp. 752-753; CENCINI, Amedeo, “Auto-identidade”, in CENTRO INTERNACIONALE VOCACIONALE ROGATE (org.), Dicionário de Orientação Vocacional, Lisboa, Paulinas, 2008, pp. 140-148; DORSCH, Friedrich, et al. (dirs.), Diccionario de Psicología, Barcelona, Editorial Herder, 1985.

 

Maria Olinda Magalhães Ribeiro

Autor

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