Advento é o tempo litúrgico que antecede e prepara o nascimento de Cristo (Natal) e a segunda vinda do Salvador. A vinda histórica de Cristo é o começo de uma vinda contínua do Salvador até que se realize – plenitude de todas as vindas na parusia. O tempo do Advento tem, portanto, esta dupla característica: é tempo de preparação para o Natal no qual se recorda a primeira vinda do Filho de Deus segundo a carne; e, por outro lado, é o tempo de espera pela segunda vinda de Cristo, no fim dos tempos.
É evidente que o tempo litúrgico do Advento – termo que significa “vinda” ou “acontecimento” – com o qual começa o ano litúrgico é celebrado apenas pelo povo cristão. Entre nós não há tradições próprias desse tempo, como a “coroa” nos povos anglo-saxónicos.
O termo “Advento” indicava na linguagem pagã a vinda periódica de Deus e uma presença teofânica no tempo. Equivale a um “regresso” ou “aniversário”. Do ponto de vista cristão, advento era a “última vinda” do Senhor no fim dos tempos.
Porém, ao instaurar-se a festa do Natal e da Epifania, o Advento significou também a vinda de Jesus na humildade da carne. O advento é, pois, tempo de fé na esperança, que prepara esta dupla vinda do Senhor: a histórica – na encarnação, por meio de Maria (Natal), e a escatológica – no final dos tempos, parusia. Estas duas vindas consideram-se como uma só, desdobrada em duas etapas. É esta dupla dimensão de espera que caracteriza todo o Advento. Se juntarmos a vinda incessante de Deus na caridade, podemos falar de três vindas: a histórica, a teologal e a escatológica.
O Advento, como tempo que precede, como preparação, a festa de Natal, nasceu no século iv, com uma duração de três semanas, à imitação da Quaresma, ou de três semanas de preparação pascal exigida para o catecumenato. Mais tarde o Advento passou a durar, segundo as igrejas, entre três e seis semanas, caracterizando-se nuns lugares pela penitência (Gália), e noutros pela alegria (Roma). Em todo o caso, o tempo de espera prevaleceu sobre o de preparação.
Ao ser a vinda de Cristo anunciada pelos profetas, assinalada pelo Precursor, e realizada pela Virgem, são três as figuras centrais do Advento: Isaías, João Baptista e Maria.
Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta expectativa do Messias. Comungando na longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo da sua segunda vinda. Pela celebração do nascimento e martírio do Precursor, a Igreja une-se ao seu desejo: “Ele deve crescer e eu diminuir” (Jo 3, 30).
Bibliog.: BERGAMINI, A., “Advento”, in SARTORE, Domenico e TRIACCA, Achille M. (dirs.), Dicionário de Liturgia, São Paulo, Paulinas, 1992, pp. 12-14; CORDEIRO, José de Leão, “Espiritualidade do Advento”, in SECRETARIADO NACIONAL DE LITURGIA, A Celebração do Mistério do Natal, 3.ª ed., Fátima, SNL, 2018, pp. 69-76; FERREIRA, Pedro Lourenço, “O tempo do Advento”, in SECRETARIADO NACIONAL DE LITURGIA, A Celebração do Mistério do Natal, 3.ª ed., Fátima, SNL, 2018, pp. 41-67; NOCENT, Adrian, Contemplar su Gloria: Adviento, Navidad y Epifanía, Barcelona, 1963.
Bernardino Costa