A assembleia é, ao mesmo tempo, aquela comunidade que celebra e acolhe a palavra e o sacramento. Todavia, não esquecemos que, antes de tudo, o sujeito integral da celebração é a comunidade cristã, povo sacerdotal em virtude do batismo, lugar privilegiado da presença do Senhor Ressuscitado. Como é referido na Instrução Geral do Missal Romano, 27, “Na Missa ou Ceia do Senhor, o povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do sacerdote que atua na pessoa de Cristo, para celebrar o memorial do Senhor ou sacrifício eucarístico”.
Depois de tantos séculos em que a comunidade dos fiéis esteve quase eclipsada como mera assistente da missa, o II Concílio do Vaticano restituiu-lhe o devido lugar.
A assembleia litúrgica cristã evoca a assembleia do povo de Deus do Antigo Testamento. Entre estas assembleias, ocupa um lugar especial a primeira grande assembleia dos hebreus aos pés do monte Sinai, logo a seguir à libertação do Egito, por ocasião da sua constituição em povo de Deus (cf. Ex. 19-24). A tradição bíblica chama a tal acontecimento “Qahal Yahvéh” e chama ao dia em que tal aconteceu o dia da assembleia (cf. Dt 4, 10). Qahal é, portanto, um termo técnico que significa assembleia, reunião provocada pela palavra de Deus que convoca.
As assembleias do Antigo Testamento foram o tipo, o fundamento, a figura da assembleia cristã. A primeira grande assembleia inaugura-se no dia de Pentecostes cristão. Nela se reúnem hebreus provenientes de todas as partes para a sua festa anual. Esta assembleia é a celebração festiva do evento dos 50 dias da festa da Páscoa (cf. Lv 23, 16), que completa o Pentecostes. Na celebração do Pentecostes permanece o mistério central da fé, a Páscoa, no qual o misterioso desígnio salvífico do Pai é realizado em Cristo, por obra do Espírito Santo.
A assembleia litúrgica (Ecclesia) é a reunião dos que acreditam em Cristo Salvador. Contemporaneamente, a assembleia é o lugar e o momento em que se realiza e se aprofunda a conversão, a iniciação, o encontro e a comunhão de quantos Deus chamou. É necessária a fé, porque sem ela as pessoas que se reúnem em assembleia não podem ser e sentir-se membros do corpo de Cristo. A fé é, por isso, a condição fundamental para uma real pertença a Jesus Cristo, presente e operante por meio do seu Espírito. A comunidade reúne-se em razão da fé, mas também para crescer na fé. A assembleia, isto é, a Ecclesia, é o lugar privilegiado do crescimento na fé.
A celebração litúrgica é a celebração da salvação, realizada, porém, por homens, que têm uma história, uma natureza, uma linguagem, que mudam com a transformação das culturas e das mentalidades.
Bibliog.: AUGÈ, Matias, Liturgia. História, Celebração, Teologia, Espiritualidade, Paulinas Editora, Prior Velho, 2005; Catecismo da Igreja Católica, “Quem celebra?” 1136-1144; FALSINI, Rinaldo, La Liturgia. Risposta alle Domande più Provocatorie, San Paolo, Cinisello Balsamo (Milano), 1998; MARTIMORT, Aimé Georges, “Estructura y leyes de la celebración litúgica”, in MARTIMORT, Aimé Georges (coord.), La Iglesia em Oración. Introducción a la Liturgia, Barcelona, Editorial Herder, 1987, pp. 113-253; MARTÍN, Julián López, “En el Espiritu y la Verdad”. Introducción Teológica a la Liturgia, Salamanca, Ediciones Secretariado Trinitario, 1987; NEUNHEUSER, Burkhard et al., A Liturgia, Momento Histórico da Salvação, São Paulo, Edições Paulinas, 1987.
José Cordeiro