Centralização do campo da consciência num determinado objeto externo ou interno ao sujeito. A atenção é uma função mental de base, ou elementar. Na medida em que precede e orienta o campo percetivo, exerce um papel capital na adaptação do Eu à realidade, também designada como função do real. Com efeito, a capacidade adaptativa do Eu exige uma atividade operacional de análise e de síntese que não pode realizar-se sem o foco da atenção. A atenção, por sua vez, é indissociável da motivação, isto é, das forças que a sustentam, regulam e orientam para um determinado fim. O campo da consciência – a organização da vida psíquica atual – está dependente da atenção, pois corresponde à experiência presentemente vivida. Assim, a atenção não pode resumir-se a um dado cognitivo, a uma função intelectual sem mais, mas, enquanto função mental de base, integra elementos da vida emocional do sujeito. Distinguimos a atenção espontânea e a atenção voluntária. A atenção espontânea, ou atenção flutuante, corresponde a uma atenção dispersa, permitindo captar este ou aquele dado da realidade. A atenção voluntária diz respeito à capacidade de manter o pensamento focado, isto é, operando um trabalho de análise e de síntese, imprescindível no processamento de informação.
Prosoché
O campo de consciência varia em intensidade e claridade, abrangendo um leque que vai desde o estreitamento (p. ex., o estado de coma) até ao estado de vigília e à capacidade de focar a atenção plena no “aqui e agora”. Esta atenção plena, ou polarização do campo da consciência, designa-se por “prosoché”, estado em que a claridade e a lucidez da consciência a permitem orientar-se para a realidade interna (a subjetividade do Eu) ou externa (a objetividade do real), possibilitando ao sujeito centrar-se na experiência do momento presente, focando-se nele. Prosoché opõe-se, assim, à atenção dispersa, permitindo aumentar e intensificar o campo de consciência.
Bibliog.: DAMÁSIO, António, O Sentimento de Si: o Corpo, a Emoção e a Neurobiologia da Consciência, Lisboa, Europa-América, 2000; DOMINGUEZ, Ana e YÁÑEZ-CANAL, Jaime, “El concepto de atención y consciencia en la obra de William James”, Revista Colombiana de Psicologia, vol 22, 1, 2013, pp. 194-214; SPRINTHALL, Norman e SPRINTHALL, Richard, Psicologia Educacional: Uma Abordagem Desenvolvimentista, Lisboa, McGraw-Hill, 1998; YASNITSKY, Anton e FERRARI, Michel (coord.), The Cambridge Handbook of Cultural-Historical Psychology, Cambridge, Cambridge University Press, 2014.
José Gomes da Costa