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Azeite

O povo de Israel, passando do deserto para as boas terras de Canaã, encontrou oliveiras e bom azeite, tornando-se este símbolo de abundância e, portanto, das bênçãos de Deus (Dt 7, 13; Sl 133, 1-2; ver 2Rs 20, 13). O azeite tinha (e tem) variadas aplicações práticas: alimentação diária, fabricação do pão, iluminação da casa, inclusive nas lâmpadas do Templo de Jerusalém (Lv 24, 2-3; ver Nm 4, 16; Sir 38, 11). A unção da cabeça ou de outra parte do corpo estava ligada à higiene ou à beleza física (Sl 133, 2; 141, 5), assim como à destreza dos atletas, tornando a pele do corpo mais maleável. Por isso se chamava o “óleo da alegria” (Sl 45, 8; Hb 1, 9) e se omitia em momentos de luto e de tristeza (2 Sm 14, 2; Mt 6, 17). Por motivos de especial respeito para com uma pessoa, também se ungia o seu corpo, como aconteceu a Jesus: “Nicodemos, aquele que antes tinha ido ter com Jesus de noite, apareceu também trazendo uma mistura de perto de cem libras de mirra e aloés. Tomaram então o corpo de Jesus e envolveram-no em panos de linho com os perfumes, segundo o costume dos judeus” (Jo 19, 39-40; ver Mc 16, 1; Lc 24, 1; Jo 12, 13).

 

Símbolo da cura espiritual

No tempo do Antigo Testamento, os médicos utilizavam unguentos que tinham como base o azeite. Ao infiltrar-se na ferida, produzia uma sensação de alívio (Sl 109, 18); assim procedeu o bom samaritano da parábola de Lucas (Lc 10, 34; ver Is 1, 6); os Apóstolos enviados por Jesus faziam o mesmo: “Eles partiram e pregavam o arrependimento, expulsavam numerosos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos” (Mc 6, 12-13).

Mas o sentido profundo do óleo reside no facto de significar a cura espiritual, operada pela fé na palavra de Jesus. O texto bíblico que melhor ilustra esta asserção é o clássico texto da Carta de Tiago: “Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja e que estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5, 14-15).

 

Símbolo do Espírito Santo

A cura física provocada pelo óleo fez deste elemento da natureza o símbolo do Espírito Santo. Por isso, foi com azeite que Samuel sagrou, pela unção, os dois primeiros reis de Israel, Saul e David, no sentido em que o espírito de Deus penetrava no seu coração para eles governarem o povo no lugar de Deus, o verdadeiro Rei de Israel. Por isso, depois de ungidos chamavam-se messias (do verbo hebraico mashaḥ, donde deriva meshia, o messias, o ungido. O verbo grego para ungir é chriô e o ungido é christós, Cristo. Jesus é, assim, chamado Messias e Cristo, por ser o Ungido, o herdeiro (espiritual), sobretudo dos reis messias, do Antigo Testamento, mormente de David. É com este óleo que se administra o sacramento do crisma (em grego, chrisma, “unção”), o sacramento que, pela ação do Espírito Santo, faz do cristão um soldado, um militante de Cristo. O termo grego christianós (cristão) deriva de Christós (Cristo). Deste modo, o ungido/“crismado” torna-se um ser humano “cristianizado”.

 

Bibliog.: Alves, Herculano, 50 Símbolos na Bíblia, 3.ª ed., Fátima, Difusora Bíblica, 2017; BOTTERWECK, G. Johannes, e RINGREN, Helmer, Thelogocal Dictionary of the Old Testament, vol. 9, Grand Rapids-MA, W. B. Eerdmans Publishing Company, 1993, pp. 43-54 (masha‘); Dictionnaire Encyclopédique de la Bible, s.l., Brépols, 1987, pp. 597-598; BALS, Horst, e SCHNEIDER, Gerhard, Diccionario Exegético del Nuevo Testamento, Salamanca, Ediciones Sígueme, 1998, vol. 1, col. 1297-1299, vol. 2, col. 2115-2146.

 

Herculano Alves

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