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Benefício

O termo “benefício” tem origem latina e significa “fazer bem”; em teologia, significa, em traços largos, um bem que se faz a outrem ou que dele se recebe. Por isso, podemos dizer que este conceito tem a ver, diretamente, sobretudo com os dons que o Senhor de todas as coisas oferece aos seres humanos. Tais dons podem traduzir-se pelos termos teológicos “graça” e “bênção”, que, biblicamente falando, têm um conteúdo muito vasto e profundo; estes dons podem considerar-se frutos do amor (agápê) divino, com os quais Deus nos fortifica na nossa caminhada terrestre, até que o encontremos na vida eterna. De facto, a graça e a bênção, por definição, não dependem dos méritos humanos, mas unicamente do amor e bondade de Deus, e são oferecidos, gratuitamente, por Ele. O conteúdo destes dois conceitos teológicos, disponíveis para os seres humanos, constitui, ao mesmo tempo, um ato da Providência, que nos ajuda e ampara na nossa peregrinação a caminho da pátria celeste. A mão divina, que defende e ampara o peregrino na terra, torna-se, assim, uma mão materna que semeia “benefícios” em favor dos seres humanos.

Podemos ainda afirmar que, no cristianismo, mormente em São Paulo, o conceito de graça torna-se a fonte de muitos outros benefícios específicos, entre os quais podemos enumerar a justificação do pecador, pelos méritos da vida, morte e ressurreição do Senhor (Kyrios). Eis o seu texto fundamental sobre a justificação: “Àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho, de tal modo que Ele é o primogénito de muitos irmãos.  E àqueles que predestinou, também os chamou; e àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou” (Rm 8, 29-30). Podemos, portanto, afirmar que neste texto se encontram os verbos que exprimem os principais “benefícios” que Deus nos concede nesta peregrinação sobre a terra, oferecendo-nos mesmo a glorificação, i.e., a garantia, o “bilhete” da viagem desta vida para a sua Casa, que Jesus nos veio merecer e entregar. Importa não o perder, pelos caminhos desta vida humana, seguindo pelo Caminho que Jesus deixou traçado no Evangelho: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6). Ora, chegar à Casa do Pai, depois desta peregrinação, é o último e o maior “benefício” que Jesus nos veio oferecer, sem os nossos méritos. São Paulo explana frequentemente estes “benefícios”, mediante os conceitos de graça, salvação e mistério (mystêrion), dos quais ele se fez arauto.

 

Bibliog.: ALVES, Herculano, “Batismo em S. Paulo. Batizados em Cristo”, in Raízes da Fé – Temas Bíblicos, vol. vi, Fátima/Prior Velho, Difusora Bíblica/Paulinas, 2024, pp. 205-231; Id., “Cristocentrismo em S. Paulo”, in Raízes da Fé – Temas Bíblicos, vol. v, Fátima/Prior Velho, Difusora Bíblica/Paulinas, 2024, pp. 410-452; Id., “Igreja em S. Paulo”, in Raízes da Fé – Temas Bíblicos, vol. vii, pp. 207-242; BOUTTIER, Michel e BROSSIER, François, “Grâce, rendre grâce (charis, eucharistein)”, in Vocabulaire des Épîtres de Paul, Paris, Cerf, 1994, pp. 34-35; Id., “Justifier”, “Juste”, “Justice”, in Vocabulaire des Épîtres de Paul, Paris, Cerf, 1994, pp. 39-40.

 

Maria Olinda Magalhães Ribeiro

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