Dentre os vários livros que se utilizam desde há séculos na celebração litúrgica está o Cantoral, que recebeu o seu nome do latino Cantatorium, e que, por vezes, era um livro grande de coro. Contém, por exemplo, hinos, antífonas, graduais, aleluias, salmos e o pregão pascal Exultet. Modernamente existem vários cantorais, destinados aos cantores e a toda a assembleia, que contêm as músicas e as letras dos cânticos mais recomendados. Em julho de 2019, surgiu em Portugal o 1.º Cantoral Nacional para a Liturgia aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa e confirmado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Roma). É um livro litúrgico com os cânticos da missa e das outras celebrações litúrgicas, contendo: cânticos do Ordinário e do Próprio da missa para todo o ano litúrgico; cânticos para o Santoral e os Comuns dos Santos; para as missas rituais e para as diversas circunstâncias; para as celebrações votivas e para as exéquias; salmos responsoriais; cânticos para o culto eucarístico e o culto mariano; cânticos penitenciais e outros. Com o Concílio Vaticano II ressurgiram, com nova configuração, os antigos livros litúrgicos para a missa: o missal e os lecionários. No que ao canto litúrgico em vernáculo diz respeito, foi necessário um longo caminho para chegar a um repertório que substituísse o dos latinos Ordo Cantus Missae, Graduale Romanum e Graduale Simplex. Não havia praticamente música litúrgica em português, mas composições de música “religiosa”, destinada sobretudo aos atos de piedade e às devoções. À data da reforma litúrgica, os compositores tinham, pois, diante de si a ingente tarefa de criar, quase do nada, todo um repertório de cânticos para os diferentes momentos do ordinário e do próprio da missa. Compositores de então, como Manuel Luís, Ferreira dos Santos, Manuel Faria, Fernandes da Silva, Carlos Silva, Manuel Simões, etc., e outros que se lhes seguiram, como António Cartageno, Azevedo de Oliveira, Fernando Lapa, etc., com a colaboração de alguns poetas, foram criando o repertório que, depois de selecionado, resultou no Cantoral Nacional para a Liturgia. A seleção dos cânticos, feita a partir de dezenas de publicações, foi da responsabilidade do Serviço Nacional de Música Sacra, um Departamento do Secretariado Nacional de Liturgia. “Esta antologia procura assumir um carácter de exemplaridade, favorecendo a difusão de um património nacional. Que ela constitua um válido contributo para a verdade, a beleza, a espiritualidade, a dignidade e a vitalidade das celebrações” (D. José Cordeiro, Presidente da CELE, na Apresentação da obra). Como sublinhou o Secretariado Diocesano de Liturgia do Porto, na Voz Portucalense (11.09.2019), esta “não é mais uma entre tantas recolhas de cânticos à disposição dos coros e das assembleias: é uma referência essencial para a renovação das nossas celebrações litúrgicas. É um passo decisivo para a recriação de um novo livro litúrgico, para que, também no canto, a Liturgia volte a ser o ‘culto da Igreja’, a voz da Igreja que canta a sua fé, glorificando a Deus e santificando os homens”.
Bibliog.: Cantoral Nacional para a Liturgia, Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, 2019; Voz Portucalense, 11.09.2019.
António Cartageno