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Compreensão

Capacidade cognitiva que permite o conhecimento de um objeto interno ou externo ao sujeito. A compreensão tem como finalidade a construção de uma representação semântica ou relação de significação, isto é, de um sentido. O processamento cognitivo da informação captada pelo campo da consciência, organizando-a segundo as leis da lógica e as coordenadas espaço e tempo, é uma condição básica para a compreensão.

A teoria cognitivista piagetiana considera que a capacidade de compreensão lógica se alcança no estádio das operações concretas, quando o desenvolvimento mental já permite integrar conhecimentos novos em esquemas mentais preexistentes, através de um processo de assimilação e acomodação. Nesta perspetiva, a capacidade de compreensão é adaptativa, isto é, permite identificar e resolver problemas.

Lev Vygotsky, na esteira da teoria piagetiana, considerou que o desenvolvimento cognitivo é indissociável do contexto social e histórico em que o sujeito se situa e, por outro lado, do seu contexto cultural, com especial relevância para o sistema de simbolização.

A teoria psicodinâmica freudiana distingue entre o processamento primário e o processamento secundário da informação. O processamento primário, presente no sistema inconsciente e associado ao princípio do prazer, é desorganizado ou até caótico, carecendo de um sentido lógico. Por sua vez, o processamento secundário da informação, que permite a compreensão, está associado ao sistema consciente e pré-consciente, bem como ao princípio da realidade, e organiza a informação de acordo com as leis da lógica aristotélica e as coordenadas espaço e tempo. Consequentemente, a capacidade de compreensão, subordinando-se à exigência da lógica, é indissociável do processamento secundário da informação.

O insight refere-se a uma forma particular de compreensão que resulta de um processo de tomada de consciência – já sabíamos, mas ainda não sabíamos que sabíamos. Esta forma de compreensão, com origem na consciencialização, isto é, na passagem do processo primário ao processo secundário, tem uma importância crucial na psicoterapia de base psicodinâmica, através da perlaboração, um trabalho (laboração) intrapsíquico que vai permitindo a emergência dos conteúdos inconscientes.

Bibliog.: DACEY, John e TRAVERS, John, Human Development across the Lifespan, New York, MacGraw-Hill, 2002; FREUD, Sigmund, Abrégé de Psychanalyse, Paris, Presses Universitaires de France, 1975; LOURENÇO, Orlando, Psicologia de Desenvolvimento Cognitivo: Teoria, Dados e Implicações, Coimbra, Almedina, 1997; PIAGET, Jean e INHELDER, Bärbel, A Psicologia da Criança, Porto, Edições ASA, 1997; SCHULTZ, Duane e SHULTZ, Sydney, Teorias da Personalidade, São Paulo, Thomson, 2004; YASNITSKY, Anton e FERRARI, Michel (coords.), The Cambridge Handbook of Cultural-Historical Psychology, Cambridge, Cambridge University Press, 2014.

José Gomes da Costa

Autor

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