O confessionário é o lugar do sacramento da reconciliação e encontra-se normalmente dentro do edifício da igreja, como lugar do início da conversão e da sua conclusão.
Dos antigos ordines penitenciais, anteriores ou posteriores ao ano 1000, deduz-se que o sacerdote administrava a penitência privada em casa ou na igreja, sentado num qualquer lugar. Em alguns dos antigos formulários do Confiteor recitado pelo penitente, encontra-se uma importante incisão que faz referência ao altar, indicando que a confissão não só tinha lugar na igreja, mas também que era feita diante do altar, provavelmente o altar maior da igreja.
No séc. xiv existem já os primeiros confessionários com uma estrutura própria: trata-se de um assento com genuflexório colocado sobre os lados, encostado ou até encaixado na espessura do muro ou das paredes. No séc. xvi, para evitar escândalos, estabeleceu-se que os confessionários deveriam estar em lugar aberto, para que se pudesse ver o confessor e o penitente, mas separados por uma grade perfurada. No mesmo século, S. Carlos Borromeu dá orientações precisas para a construção do confessionário e da sua estrutura: deve ser de madeira, a cadeira do confessor deve estar isolada por uma estrutura da altura de uma pessoa, que a proteja dos lados, atrás e em cima, e a parte da frente deve ser absolutamente aberta. Esta estrutura poderia ser decorada, com cornijas trabalhadas na parte da frente, que o barroco desenvolveu de modo riquíssimo, criando verdadeiras obras de arte.
Com desenvolvimentos sucessivos, estas estruturas – que também foram chamadas de “confessionário das mulheres” (porque para os homens estavam apenas previstos uma cadeira e um genuflexório) – foram colocadas um pouco por todo o lado, na nave da igreja, na sacristia ou em outros edifícios adjacentes. Esta situação manteve-se até ao Concílio Vaticano II, que contribuiu para um modo novo de ver e celebrar o sacramento da penitência, desafiando os agentes de pastoral e os artistas a procurar outras soluções para o lugar da confissão.
Bibliog.: GATTI, Vincenzo, Liturgia e Arte: I Luoghi della Celebrazione, Bolonha, EDB – Centro Editoriale Dehoniano, 2002; JOUNEL, P., “Lugares da celebração”, in SARTORE, Domenico e TRIACCA, Achille M. (dirs.), Dicionário de Liturgia, São Paulo, Paulinas, 1992, pp. 694-706; RIGHETTI, Mario, Manuale di Storia Liturgica, ed. anastática, vol. 1, Milano, Ancora, 1964.
Bernardino Costa