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Dedicação

A assembleia dos discípulos do Senhor (ecclesia), reunindo-se para celebrar os divinos mistérios, cria um espaço sagrado sobre o qual, pela repetição dos encontros, se constrói normalmente um edifício cultual. A relação entre a comunidade e o lugar em que se reúne é tão intrínseca que o próprio nome “assembleia” passou a designar o edifício cultual: igreja. Se o lugar de reunião da comunidade se chama “igreja”, é, acima de tudo, pela relação de contiguidade que existe entre eles: diz-se do conteúdo (a assembleia celebrante), mas refere-se àquilo que o contém (o lugar da celebração).

Uma vez construído o edifício cultual no lugar habitual do encontro, a comunidade sente a necessidade e o desejo de o reservar, através de uma ação que manifeste a sua decisão e implore a graça de Deus, para o serviço exclusivo do culto divino. Tal como na Antiguidade cristã, assim acontece nos nossos dias. Esta ação, eminentemente litúrgica, é o rito da dedicação da igreja.

Esta celebração da dedicação da igreja não é frequente: tem um inevitável carácter extraordinário, mesmo que se tenha tornado acessível à maior parte das comunidades, como acontece nos dias de hoje. Rito extraordinário não só porque não se constrói uma igreja todos os dias, mas também porque as comunidades locais têm já, desde há muitos séculos, a sua igreja.

De qualquer forma, a liturgia da dedicação da igreja oferece aos discípulos do Senhor uma ocasião propícia para refletir sobre a própria identidade, sobre a autenticidade do seu culto e sobre a seriedade da sua adesão a Cristo e à Igreja.

 

Bibliog.: CALABUIG, Ignazio, “Il rito della dedicazione della Chiesa”, in CHUPUNGCO, Ansgar J. (dir.), Scientia Liturgica, vol. 5, Casale Monferrato, Piemme, 1998, pp. 373-420; JOUNEL, P., “Dedicação das igrejas e dos altares”, in SARTORE, Domenico e TRIACCA, Achille M. (dirs.), Dicionário de Liturgia, São Paulo, Paulinas, 1992, pp. 285-296.

 

Bernardino Costa

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