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Desigualdade

Para Karl Marx, a desigualdade assegura a negação do potencial humano (RITZER, 2008). Enquanto causa do sofrimento humano, é um fenómeno que desafia o subsistema religioso, e diversos têm sido os entendimentos acerca disso.

O pensamento social e, particularmente, as teorias sociológicas contribuíram para a negação do potencial transformador da religião na sociedade moderna e, portanto, da capacidade de a religião debelar as desigualdades (entre indivíduos e coletividades). Os principais fundadores da sociologia marcaram profundamente a análise da relação entre a religião e a modernidade, tendo sido vaticinado o fim da religião ou do seu esvaziamento funcional no tecido social.

Karl Marx sustenta que “a religião é o suspiro da criatura oprimida, o âmago de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma” (MARX, 2008, 6), propondo, para que os seres humanos se libertem das ilusões a respeito da sua situação, o abandono de uma situação que precisa de ilusões. Assim, tomar consciência da real situação em que se vive, e das desigualdades que esta esconde, requer a crítica à religião e a sua exclusão do processo de revolução social.

Émile Durkheim, por sua vez, esvaziou o papel da religião na reforma social, dado que, na sociedade moderna, a religião era virtualmente morta e as importantes funções cognitivas e normativas seriam assumidas por outros agentes (WILSON, 1982).

Max Weber, que trabalhou a forma como as convicções religiosas dos povos penetram ou impregnam as estruturas sociais, económicas e políticas, concebe a religião como um sistema de significação que impregna a cultura. Um dos aspetos essenciais da sua sociologia das religiões é o destaque que dá à forte tensão existente entre a religião e as demais esferas de atividades sociais, como a familiar, a económica, a política, a estética, o mundo do erotismo e a esfera do intelectual (WEBER, 1982). Essas orientações tornaram-se a base de programas políticos e culturais de modernidade que sustentaram a incompatibilidade entre religião e razão, religião e ciência e, por fim, religião e progresso, fazendo da religião ora um mecanismo de manutenção das desigualdades, ora uma ferramenta ineficaz no combate às desigualdades.

 

Bibliog.: MARX, Karl, Para a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, Covilhã, Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2008; RITZER, George, Sociological Theory, 8th ed., New York, McGraw-Hill, 2010; WEBER, Max, Ensaios de Sociologia, 5.ª ed., Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1982; WILSON, Bryan, Religion in Sociological Perspective, New York, Oxford University Press, 1982.

 

Adilson Semedo

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