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Feminilidade

Nos dicionários da língua portuguesa, o termo “feminilidade” é diferentemente desenvolvido, mas o seu significado aparece sempre identificado como um conjunto de qualidades ou de modos de ser característicos das mulheres. Nalguns deles, como é o caso do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (2008), remete-se para “comportamentos tradicionalmente associados ao sexo feminino”.

De facto, a feminilidade foi durante muito tempo associada a determinadas “qualidades” que se consideravam mais frequentes nas mulheres, e.g., a doçura, a fragilidade emocional, a resignação, a modéstia e o espírito de sacrifício. Havia também “defeitos” que se entendia serem mais próprios das mulheres, como a inveja, a intriga, a tagarelice, a vaidade, a menoridade intelectual, etc. Com o advento das “teorias de género” nos sécs. xx e xxi, a feminilidade foi encarada em diferentes perspetivas, ganhando novos significados. Nos chamados feminismos da igualdade, a ênfase era colocada na luta pelos direitos das mulheres e na libertação da posição secundária que estas ocupavam na sociedade. Por isso, a feminilidade era combatida como um preconceito. A partir dos anos 70 do séc. xx, surgiram posicionamentos que valorizavam a especificidade de um modo feminino de ser, lutando pela valorização da diferença e cultivando modos de viver e de agir próprios das mulheres, que deveriam ser respeitados como tal. Consequentemente, a feminilidade era valorizada. Na viragem para o séc. xxi, dá-se uma abertura para novas identidades sexuais, como gays, lésbicas, queer, travestis, bissexuais, transsexuais, e a feminilidade deixa de estar associada especificamente às mulheres.

 

Bibliog.: BEAUVOIR, Simone de, Le Deuxième Sexe, Paris, Gallimard, 1949; Id., O Segundo Sexo, Lisboa, Bertrand, 1975; BRAIDOTTI, Rosi, Nomadic Subjects: Embodiment and Sexual Difference in Contemporary Feminist Theory, New York, Columbia University Press, 1994; BUTLER, Judith, Gender Trouble. Feminism and the Subversion of Identity, London, Routledge, 1990; Id., Filosofias de Género, Lisboa, Orfeu Negro, 2017; Dicionário da Língua Portuguesa, Porto, Porto Editora, 2008.

 

Maria Luísa Ribeiro Ferreira

 

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