A fonte batismal (ou batistério) é o lugar da celebração do sacramento do batismo. O seu elemento constitutivo é a água, na qual o homem é imerso. Durante o período apostólico, a simples presença da água constituía a referência local para a celebração do batismo: bastava que houvesse água para que aquele lugar se tornasse, ocasionalmente, o lugar do batismo (cf. At 8, 36-38).
Por conseguinte, nos primeiros séculos, o lugar do batismo podia ser o mar, o rio, as fontes, as termas, o impluvium das casas privadas ou os poços: lugares naturais e comuns, dos quais se servia o cristão para uma ação sagrada. Foi, pois, só mais tarde, por volta do séc. v, com a estruturação de todo o conjunto da celebração litúrgica (com os seus formulários, lugares e tempos), que se começou a dar uma configuração própria ao lugar da celebração do batismo. Se na época apostólica não havia qualquer prescrição quanto ao lugar e ao tempo da celebração, no período clássico e românico essas circunstâncias foram bem definidas. O batistério era único e adjacente à igreja própria do bispo, isto é, a catedral, porque só ali, pelo bispo ou pelos seus delegados, era administrado o batismo.
Com a conversão ao cristianismo dos habitantes da periferia, com a sua excessiva distância em relação ao batistério da catedral, tornou-se necessária a construção de outros batistérios junto da igreja paroquial, recalcando, naturalmente, as mesmas características da estrutura do edifício da cidade. O batistério paroquial era, obviamente, mais pequeno e sem o consignatório, isto é, o lugar em que o bispo, dentro da celebração batismal, conferia o sacramento da confirmação, ungindo os eleitos com o óleo do crisma.
Mais tarde, quando todo o território foi evangelizado e a comunidade dos fiéis estabilizou, começou a pedir-se espontaneamente o batismo também para as crianças, que de certa forma faziam parte da vida da Igreja e da graça batismal. Neste novo contexto, acrescentou-se uma estrutura mais pequena à piscina batismal, concebida até então apenas para a imersão dos adultos. Com o passar do tempo, cada comunidade cristã passou a ter o seu lugar de culto e, consequentemente, também a sua fonte batismal.
Por todas estas razões, a estrutura da piscina batismal mudou a sua forma e tornou-se mais conveniente construir um batistério dentro da própria igreja. Assim, no séc. xvi era já prática comum construir um batistério no interior da igreja, para o qual se construía uma capela numa das paredes laterais da igreja, perto da porta de ingresso.
Já muito perto do Concílio Vaticano II, a renovada sensibilidade pastoral e litúrgica reconduziu novamente à paróquia o direito de o neonato renascer para a vida da graça, e no seio da comunidade eclesial à qual pertencem os seus pais. Procurou-se, desde então, recuperar o sinal da iluminação, incluindo-o, no projeto das novas igrejas, não só de modo funcional, mas evidenciando também o seu aspeto simbólico. Além disso, os percursos rituais prescritos pelo novo Ritual do Batismo de Crianças, publicado depois do Concílio, traziam novas exigências no que diz respeito à colocação.
Assim, foi-se gradualmente tomando consciência de que a fonte batismal deveria estar mais articulada com os elementos próprios da celebração litúrgica que estão no seguimento do próprio batismo: o ambão e o altar.
Bibliog.: COSTA, B., “O batistério: lugar do início do caminho da fé”, Boletim de Pastoral Litúrgica, n.º 45, 177/178, 2020, pp. 64-69; GATTI, Vincenzo, “Liturgia e arte: I luoghi della celebrazione”, Bolonha, EDB – Centro Editoriale Dehoniano, 2002, pp. 163-188; JOUNEL, P., “Lugares da celebração”, in SARTORE, Domenico e TRIACCA, Achille M. (dirs.), Dicionário de Liturgia, São Paulo, Paulinas, 1992, pp. 694-706; VALENCIANO, Crispino, “Architettura liturgica”, in CHUPUNGCO, Ansgar J. (dir.), Scientia Liturgica, vol. 5, Casale Monferrato, Piemme, 1998, pp. 421-436.
Bernardino Costa