O gradual tanto pode referir-se ao livro litúrgico que contém os cânticos da missa, tanto as partes móveis (o Proprium – Introitus, Graduale, Alleluia, Tractus, na Quaresma, Sequentia, nalgumas festas, Offertorium e Communio), como as partes fixas (o Ordinarium – Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus/Benedictus e Agnus Dei), como a um dos cantos do Próprio da Missa – o salmo responsorial – depois da leitura da epístola.
O termo “gradual” vem de gradus, “degrau”, donde o cantor solista entoava o versículo do salmo, geralmente muito melismático, alternando com o coro, que cantava a antífona. O gradual consta dos antigos formulários e é formado por dois elementos: o responsum e o versus aleluiático, sempre tirados do livro dos Salmos. Este tipo de canto é uma redução do antigo salmo responsorial, surgida provavelmente por razões musicais. De facto, até ao séc. ix, era entoado, versículo a versículo, primeiro pelo oficiante e depois pelo coro dos fiéis; mais tarde, devido aos numerosos melismas introduzidos na melodia, foi abandonada a execução responsorial e o gradual tornou-se um canto solístico, confiado a dois ou três cantores.
Foi o Papa Celestino I (422-432) quem determinou que os 150 salmos fossem cantados por todos sob a forma antifonada a seguir à epístola (CORDEIRO, 2015, n. 5546). Por sua vez, o Ordo Romanus XV (790) prescreve que, “acabada a leitura, segue-se o salmo responsorial” (Id., Ibid., n. 6076), e Amalário de Metz (m. 850), no Liber Officialis, refere que “Há uma diferença entre o salmo responsorial, ao qual responde o coro, e o trato, ao qual ninguém responde” (Id., Ibid., n. 6560).
O gradual, tal como chegou até à reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, desapareceu para dar lugar ao antigo salmo responsorial, agora recuperado.
Bibliog.: AA.VV., La Nuova Enciclopedia della Musica Garzanti, Milano, Garzanti Editore s.p.a., 1987; ARNOLD, Denis (dir.), Dictionnaire Encyclopédique de la Musique, vol. 1, Paris, Éd. Robert Laffont, 1988; CORDEIRO, José de Leão, Antologia Litúrgica. Textos Patrísticos e Canónicos do Primeiro Milénio, 2.ª ed. revista e aumentada, Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, 2015.
António Cartageno