O termo “holismo” vem do grego “ολος”, que significa “inteiro”, “completo”, e é utilizado sobretudo com o sentido de “totalidade sistémica”.
A primeira apresentação do conceito foi feita por Aristóteles no livro viii da sua Metafísica, no qual, a propósito da substância sensível, escreve: “No caso de todas as coisas que têm várias partes e nas quais a totalidade não é, por assim dizer, um mero amontoado, mas o todo é algo além das partes […]” (ARISTÓTELES, 1969, VIII, 1045a.8-10).
Na contemporaneidade, a obra de Jan Smuts Holism and Evolution apresenta o holismo como fator operacional na evolução dos todos e como princípio decisivo do universo, fazendo com que qualquer organismo (dos microrganismos até à personalidade humana) seja um todo que apresenta um padrão de organização interno (SMUTS, 1996, 98).
O holismo foi uma enorme influência na construção das bases filosóficas da Gestalt-terapia e nas abordagens humanistas da psicologia, sobretudo na psicologia transpessoal. A visão holística contrapõe-se à newtoniano-cartesiana de um universo fragmentado e traduz uma perspetiva na qual “o todo” e cada uma das suas sinergias estão ligados, em interações constantes e paradoxais, definição adotada pela Universidade Holística Internacional de Paris por iniciativa de Monique Thoenig, em 1986, e incluída nos seus estatutos. Esta universidade teve um importante papel na introdução da psicologia transpessoal e da visão holística em, França e na Europa.
No campo da espiritualidade, a necessidade de um paradigma holístico, mais ecológico e fraterno, surgiu com o pensamento de teólogos como Thomas Berry e Leonardo Boff.
Bibliog.: ARISTÓTELES, Metafísica, Porto Alegre, Globo, 1969; BERRY, Thomas, O Sonho da Terra, trad. ALVES, Ephraim Ferreira, Petrópolis, Vozes, 1991; BOFF, Leonardo, Ecologia, Mundialização, Espiritualidade: A Emergência de Um Novo Paradigma, São Paulo, Ática, 1993; SMUTS, Jan Christiaan, Holism and Evolution, New York, The Gestalt Journal Press, 1996.
Teresa Furtado Coelho