A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Huysmans, Joris-Karl

Nascido em 1848 com o nome civil Charles-Marie-Georges Huysmans, Joris-Karl Huysmans fez parte, numa fase inicial da sua carreira literária, do movimento naturalista, tendo um dos seus romances inscritos nesta tendência, Les Soeurs Vatard, de 1879, sido elogiado por Émile Zola, o corifeu do naturalismo. Nesta linha estética, poderemos incluir ainda Marthe, Histoire d’Une Fille (1876), En Ménage (1881) e À Vau-l’Eau (1882).

Em 1884, publica À rebours, um trabalho que inicia uma nova fase na sua obra. Este romance tornar-se-á um sinal marcante de uma nova sensibilidade cultural decadentista, materializada no seu protagonista, Jean Des Esseintes, que vive voluntariamente afastado do mundo, dedicado a experiências estéticas centradas no culto requintado da arte e no trabalho com os sentidos. Sendo uma das bíblias do decadentismo e um dos seus momentos fundadores, À rebours contém igualmente uma forte espiritualidade, materializada sobretudo nos capítulos vii e xii, bem como no inesperado desenlace da narrativa. Num prefácio escrito 20 anos depois da publicação do livro, Huysmans afirmará que toda a sua obra católica se encontrava em potência em À rebours (HUYSMANS, 2020, 64).

Em 1891, surge o romance Lá-bas, onde encontramos, tal como em À rebours, uma certa ambiguidade entre um pessimismo epocal e uma ânsia de espiritualidade, que se projeta em equívocos caminhos ocultistas, por vezes embebidos de satanismo. Talvez devido a este conteúdo algo macabro, o romance foi um êxito junto do público. A obra marca o início do caminho de conversão do seu protagonista, Durtal, um processo que dará origem a mais obras, sempre em redor desta personagem: En route (1895), La Cathédrale (1898) e L’Oblat (1903). Esta figura ficcional constitui um alter ego do próprio autor, que, também ele, se converteu por estes anos. Existem, portanto, na obra de Huysmans um naturalista, um decadentista e um místico.

Além de romancista, Huysmans foi também crítico de arte e crítico literário, tendo exercido, para sobreviver, a profissão de funcionário do Ministério do Interior. Faleceu em 1907.

 

Obras de Joris-Karl Huysmans: Marthe, Histoire d’Une Fille (1876); Les Soeurs Vatard (1879); En Ménage (1881); À Vau-l’Eau (1882); À rebours (1884); Lá-bas (1891); En route (1895); La Cathédrale (1898); L’Oblat (1903).

 

Bibliog.: BRUNEL, Pierre et al., Histoire de la Littérature Française, Paris/Bruxelles/Montreal, Bordas, 1972; CASTEX, P.-G. et al., Histoire de la Littérature Française, s.l., Hachette, 1974; ZOLA, Émile, Le Roman Expérimental, Paris, G. Charpentier, 1880.

 

Gabriel Magalhães

Autor

Scroll to Top