A interpenetrabilidade tem, na linguagem corrente, o significado de separação, inacessibilidade, mistério. Na física, impenetrabilidade significa que dois objetos não podem ocupar a mesma posição do espaço. Trata-se de um conceito que começou por se aplicar a objetos clássicos (no sentido de não quânticos). Os objetos quânticos (como as partículas elementares) dividem-se em dois grupos: os fermiões (que obedecem à “estatística de Fermi-Dirac”) e os bosões (que obedecem à “estatística de Bose-Einstein”) – os primeiros, “partículas de matéria”, e os segundos, “partículas de energia”. Estes dois grupos têm comportamentos diferentes no que diz respeito à impenetrabilidade, uma vez que os fermiões não podem estar no mesmo estado quântico (o que se traduz, por exemplo, no facto de não poderem coincidir no espaço: é o conteúdo do princípio da exclusão de Pauli, que preside à organização dos átomos e dos núcleos), ao passo que os bosões não só podem como tendem, a baixa temperatura, a ficar no mesmo estado quântico, o que resulta em fenómenos coletivos como a superfluidez e a supercondutividade. A impenetrabilidade dos objetos clássicos resulta, em última análise, do princípio de Pauli.
Bibliog.: TOWNSEND, John S., A Modern Approach to Quantum Mechanics, 2.ª ed., Mill Valley-CA, University Science Books, 2012.
Ricardo Mendes Ribeiro