A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Imposição das mãos

Na linguagem litúrgica, a imposição das mãos, que é feita em silêncio, não é mera cerimónia ou suspensão do rito, mas é a entrada no fulcro da celebração, indicando o próprio Espírito Santo operante na ação sacramental.

Com o gesto da imposição das mãos implora-se e comunica-se o dom do Espírito sobre os eleitos. Este é um dos gestos mais antigos e simbólicos da liturgia, atestado pelo largo uso na tradição judaico-cristã em sinal de bênção privada (cf. Gn 48, 14-18), de bênção litúrgica (cf. Lv 9, 22), de investidura para o cumprimento de uma função (cf. Nm 27, 18-23) e para estabelecer na missão (cf. At 6, 6; 1Tm 5, 22).

Por um lado, a imposição das mãos é sinal de bênção, investidura de poder, de consagração e de comunicação do Espírito Santo; por outro, manifesta a transmissão dos dons e responsabilidades em ordem ao serviço da comunidade eclesial.

Esta efusão do Espírito, considerada como uma força, aparece no Novo Testamento relacionada com o ministério e a missão, a missão messiânica de Cristo, que inaugura a sua pregação com a força do Espírito e a mesma força do Espírito que confere aos Apóstolos o ministério e a missão em nome de Cristo, como um poder enviado de junto de Deus por Cristo, para a difusão do seu Evangelho. A oração de ordenação do bispo segue o mesmo esquema neotestamentário.

Nas cartas de S.to Inácio († 107) encontramos bem definido o ministério eclesial, não se referindo, explicitamente, a um especial rito litúrgico de ordenação, porém, assinala-se uma imagem da Igreja local bem estruturada, cujo centro de unidade é o bispo, com o qual, estreitamente, colaboram o colégio dos presbíteros e o grupo dos diáconos. Desta maneira, da leitura das cartas inacianas, constatamos que os termos bispo, presbítero e diácono adquirem uma exatidão conceptual para designar, como termos técnicos, os três graus do ministério eclesiástico.

O significado ritual do gesto da imposição das mãos, que ocorre no contexto litúrgico das ordenações, exprime, mediante o contacto físico, a transmissão e a colação de um certo ministério que habilita ao desenrolar de funções ministeriais específicas na comunidade eclesial.

Além do sacramento da Ordem, impõem-se as mãos em todos os outros sacramentos e também sobre a comunidade na bênção solene.

 

 

Bibliog.: CHRISTOPHE, Paul, La Bellezza dei Gesti del Cristiano, Bose, Edizioni Qiqajon, 2011; CORDEIRO, José Leão (coord.), Antologia Litúrgica. Textos Litúrgicos, Patrísticos e Canónicos do Primeiro Milénio, Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, 2015; CORDEIRO, José Manuel, O Padre. Do Mistério ao Ministério, Lisboa, Pedra Angular, 2009; PATERNOSTER, Mauro, L’Imposizione delle Mani Nella Chiesa Primitiva. Rassegna delle Testimonianze Bibliche, Patristiche e Liturgiche Fino al Secolo Quinto, Roma, Edizioni Liturgiche, 1983; VOGEL, Ciril, “L’imposition des mains dans les rites d’ordination em Oriente et en Occident”, Revista La Maiso-Dieu, n.º 102, 1970, pp. 57-72.

 

José Cordeiro

 

Autor

Scroll to Top