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Introdução

Eugénia Maria da Silva Abrantes e José Eduardo Franco

Um dicionário é um ponto de chegada e ao mesmo tempo um ponto de partida. Decorre de um exercício de sistematização de conhecimento, criticamente apurado, sobre um determinado campo de saber, estabelecendo um saber sinótico o mais abrangente possível relativamente ao que se conhece acerca dos temas em equação.

Na realidade, o trabalho científico de construir uma obra dicionarial equivale, pois, a fazer o estado da arte sobre o campo de conhecimento que constitui o seu objeto de pesquisa e composição do seu conhecimento fundamental. Neste sentido, é também um excelente e operativo ponto de partida para novas pesquisas, maiores desenvolvimentos e mais aprofundamentos em termos de investigação mais ampla, mas também pode servir para gerar instrumentos de conhecimento aplicado seja no plano pedagógico, seja em sede de ensaios empíricos.

O Dicionário que aqui, nesta plataforma digital, começamos a disponibilizar ao público leitor, tem por foco dar a conhecer o que podemos chamar a “geografia” cultual mais ampla da Espiritualidade e da Mística. Se, como escrevia Manuel Antunes na linha da Paideia clássica, a cultura é o que eleva o ser humano demandando uma realização maior em vista de um horizonte de plenitude, a Espiritualidade e a Mística são, em diferentes religiões, culturas e civilizações, as vias privilegiadas que os seres humanos desenvolvem, sob diferentes modalidades, para promover esse ideal de realização maior.

Este exercício de conhecimento organizado na forma de dicionário é importante como exercício cultural e científico para o conhecimento de um campo da herança cultural da humanidade muito procurado, como lugar de satisfação da “fome de sentido”, mas nem sempre devidamente estudado numa perspetiva científica rigorosa. É uma geografia da experiência humana que, muitas vezes, tem sido muito suscetível a abordagens ambíguas, povoada, na sua perceção corrente, por estereótipos e conceitos enviesados, e menos por conhecimento crítico que dê conta da complexidade e da grandeza humano que implica na sua expressão fundamental.

Sabemos que, atualmente, a Espiritualidade e a Mística têm granjeado um renovado interesse, não só no universo estritamente religioso e teológico, mas também noutros domínios como o da Medicina, da Psicologia, da Arte, da História, da Literatura, da Sociologia, do Empreendedorismo e até na vida das empresas, enquanto componente relevante de realização pessoal e harmonia interior. Nesse sentido, é importante conhecer com ciência sólida estas dimensões riquíssimas da humanidade numa perspetiva cientificamente orientada, convocando para o efeito diversos especialistas de várias áreas disciplinares.

A integração de diversas áreas do saber tornou-se o maior dos desafios e, simultaneamente, a maior das aventuras no arriscar, cientificamente, uma abordagem inovadora na elaboração do Dicionário que se quer mais atualizado, mais apropriado ao mundo da informação, tal como o conhecemos hoje. Isto é, abandonando uma opção de circunscrever as entradas do Dicionário aos domínios da Espiritualidade da Mística, optou-se por reunir, na realização das cerca de 4000 entradas, trabalhadas a partir de diferentes áreas do saber: Ambiente; Antropologia; Arte; Ciências da Educação; Ciências Políticas e Jurídicas; Cultura; Direito Canónico; Exegese Bíblica; Filosofia; Física; História; Literatura; Liturgia; Medicina e Psicologia; Mística; Música; Pastoral; Patrística e Sociologia. No mesmo alinhamento de carácter científico e na preocupação de sinalizar a efetivação da patente inter-religiosa e ecuménica, que impera neste Dicionário, integrámos, ainda, as áreas do Espiritualidades Laicas; Protestantismo; das Religiões Não-Cristãs.

Destacamos, ainda, na especificação dos campos assumidos neste Dicionário, o núcleo das Personalidades e Autores Espirituais e Místicos. Sempre estivemos conscientes da imensidão desta área. Era inevitável, desde a primeira hora, a dura constatação que teria de haver uma seleção, o que implicava, nessa opção, não integrar muitas personalidades e autores místicos. Se foi difícil colocar limites ao número de autores, mais difícil ainda foi encontrar um critério universalmente aceite para a seleção. Encontrar tal critério sempre nos afigurou como impossível! O que considerámos fundamental foi integrar um número significativo de personalidades e autores espirituais e místicos portugueses. Este é, no nosso entender, um valor a sublinhar neste Dicionário: conseguir retirar da sombra – como estavam votados até agora – muitos dos nossos grandes mestres espirituais e místicos.

Na verdade, este Dicionário, ao reunir estas vinte e quatro áreas, afirma a sua amplitude e complexidade, mas, simultaneamente, a sua riqueza ao nível dos conteúdos, a sua originalidade e o seu valor no que à investigação em Portugal diz respeito.

Toda a engenharia organizativa foi conseguida graças à cooperação dos cerca de 700 investigadores oriundos de: África do Sul, Alemanha, Angola, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Cabo Verde, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Itália, Moçambique, Polónia, Portugal, Rússia e Uruguai), suportados por 26 coordenadores executivos, de múltiplos Centros de Investigação internacionais.

Esta investigação que agora começa a vir a público é, ainda, um meio caminho até à sua publicação física. A opção primeiramente pela edição online permite, a todos os que nesta investigação estão envolvidos, a verem publicadas as suas entregas, como possibilita, com o tempo que decorrerá até à publicação, uma constante visitação, abrindo campo para uma edição física mais completa.

Como responsáveis pela edição desta Dicionário, cabe-nos confessar a dimensão da responsabilidade da elaboração com todas estas características. Na realidade, a originalidade que, desde a primeira hora, quisemos imprimir, o destaque de autores portugueses, a dimensão internacional que esta obra ganhou afirma o nosso regozijo, pois o Dicionário ultrapassou todas as nossas expectativas, mas também sobrecarregam o peso das opções aqui tomadas; tanto a nós como ao Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização, como entidade científica coordenadora.

No muito que se poderia ainda frisar, é imperioso, para nós, o agradecimento que aqui queremos deixar de forma sentida a todos os Coordenadores de áreas, a todos os Coordenadores executivos, a todos os investigadores, a todos as Universidades e Centros de Investigação. Nestes profundos e vastos agradecimentos destacamos, de modo especial, o Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes e a Cátedra de Estudos Globais, os coordenadores padre Manuel Joaquim Gomes Barbosa (secretário e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, o doutor Bruno Venâncio (IEAC-GO) que assumiu a difícil parte do secretariado executivo, o dr. Manuel Pedreiro pelo design e programação do site, a designer Carolina Grilo, pela elaboração da capa, a todos os revisores, tradutores e editores: Milene Alves (Coordenação); Marta Duarte, Carlos Serra; Madalena Costa Lima; Porfírio Pinto e às direções do IEAC-GO que foram, ao longo destes anos, acompanhando esta obra, muito em concreto a doutora Paula Carreira (tesoureira). Este foi uma experiência extraordinária de interdisciplinaridade e interinstitucionalidade Muito Obrigada!

Um especial obrigado queremos aqui deixar à Conferência Episcopal Portuguesa, que, desde a primeira hora da apresentação da nossa proposta de elaboração deste Dicionário, sublinhou a importância desta obra e, de imediato, a apoiou financeiramente. Sem este passo, não teria sido possível desenvolvermos este projeto.

Este Dicionário é a afirmação de uma experiência de investigação de equipa e equipa internacional! Também este facto não deixa de ser um sinal da afirmação que a investigação une pessoas, culturas, saberes e experiências.

O nosso desejo expressa-se no contruir pontes para que o conhecimento chegue a todos!

Os diretores
Eugénia Maria da Silva Abrantes e José Eduardo Franco

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