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Jejum

Jejuar significa abster-se total ou parcialmente de tomar alimento ou bebida. Trata-se de uma prática que está presente nas religiões, sendo realizada pelos fiéis de modo voluntário.

A Igreja Católica pede aos cristãos entre os 18 e os 59 anos que guardem jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, isto é, que comam apenas uma vez ao dia (cf. CDC, § 1251).

Jejuar na Quarta-feira de Cinzas é um sinal penitencial expressivo do início do caminho de conversão para a Páscoa. Deste modo manifesta-se que os valores materiais não são absolutos, estando-se menos apegado aos bens transitórios e dirigindo o espírito para as realidades eternas (cf. Missal Romano, “Liturgia do 17.º domingo do tempo comum”). Além disso, o jejum deveria ser um meio para exercer a caridade, pois a poupança de custos que resulta da privação material deveria destinar-se a dar de comer aos necessitados (cf. Missal Romano, “Prefácio da Quaresma III”).

O jejum de Sexta-feira Santa expressa a tristeza e a dor da Igreja pela morte do seu Esposo, além de propiciar uma preparação mais intensa da celebração da ressurreição de Cristo. As rúbricas do Tríduo Pascal no Missal Romano (n.º 1) indicam que o jejum de Sexta-feira Santa se pode prolongar até ao Sábado Santo, para se chegar com ânimo bem-disposto à fruição do Domingo de Páscoa (cf. Sacrosanctum Concilium, 110).

Igualmente, antes de comungar, deve-se guardar uma hora de jejum, exceto de água e medicamentos (cf. CDC, § 919). Evidencia-se desta maneira o especial respeito pelo corpo e o sangue de Cristo que vão ser recebidos, distinguindo-os da comida normal.

 

Bibliog.: ALDAZÁBAL, J., Gestos e Símbolos, Loyola, São Paulo 2005, pp. 195-201; DE FRANCESCO, I. et al. (ed.), Il Digiuno nella Chiesa Antica. Testi Siriaci, Latini e Greci, Milano, Paoline, 2011; LECLERCQ, H., “Jeunes”, in CABROL, F. e LECLERQ (ed.), Dictionnaire d’Archéologie Chrétienne et de Liturgie, vol. 7/2: Iona-Jubilus, Paris, H. Librairie Letouzey et Ané, 1927, pp. 2481-2504; LEMAITRE, D. e LEMAITRE, E., Le Sens du Jeûne, Nouan-le-Fuzelier, Éditions des Béatitudes, 1993; MIQUEL, P., “El ayuno”, Cuadernos Monásticos, n.º 18, 1983, pp. 401-410; OSSART, R., “El ayuno: Ayer y hoy”, Cuadernos Monásticos, n.º 18, 1983, pp. 411-416; SCARNERA, A., Il Digiuno Cristiano dalle Origini al IV Secolo. Contributo per una Rivalutazione Teologica, Centro Liturgico Vincenziano-Edizioni Liturgiche, 1990.

 

José Antonio Goñi Beásoain de Paulorena

 

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