O conceito de “juvenilidade”, em teologia, pode ser abordado em várias perspetivas, segundo os diferentes contextos. A juvenilidade é assim chamada por se tratar de uma fase da juventude. É sabido que, na juventude, se escolhem os caminhos a trilhar ao longo da vida. Aqui, interessa-nos, antes de mais, o desenvolvimento espiritual do jovem, a fim de se tornar adulto na fé cristã e na participação ativa na sua comunidade religiosa, pelo que apresentamos algumas maneiras de abordar a juvenilidade num contexto teológico-moral.
A etapa da juventude é a mais importante para a formação da pessoa, não apenas no aspeto humano, mas também no espiritual. Podemos mesmo dizer que, em muitas tradições religiosas, a juvenilidade é vista como uma fase crucial para o desenvolvimento espiritual e moral. De facto, é na juventude que, superada a idade da adolescência, se entra na fase de estabilização da personalidade. Os peritos nestas matérias influenciaram o pensamento sobre o desenvolvimento moral e cognitivo, que pode e deve ser integrado na formação espiritual dos jovens. A juventude é considerada um período decisivo para a formação da pessoa, no que diz respeito à sua identidade, valores e crenças.
O panorama juvenil atual tem várias características que o diferenciam do das gerações anteriores: antigamente, o jovem sentia necessidade de se tornar adulto e de participar na sociedade, aceitando os valores que esta lhe incutia. Atualmente, sobretudo a partir da déc. de 1960, os jovens passaram a contestar a sociedade, estruturada apenas pelos adultos, mas também caíram no consumismo hodierno, produzindo uma acentuada fragmentação juvenil. A partir da déc. de 1990, destacou-se o fenómeno da “identidade frágil”. Porém, em certos grupos, também se acentua uma procura do sentido da vida e de valores comunitários: da paz, da solidariedade, da ecologia… Neste sentido, o jovem atual parece ter encontrado a sua autocompreensão, mas ainda se depara com dificuldades quanto ao amadurecimento afetivo-sexual e à fundamentação filosófica e teológica dos valores morais. Este e outros fatores muito contribuíram para a assim chamada “identidade frágil”.
Este tipo de identidade da juvenilidade diz respeito à etapa da vida que se situa entre os 18 e os 28 anos, como prolongamento da adolescência e ainda sujeita a certos condicionalismos socioculturais, como sejam a demasiada dependência dos pais, a dificuldade em encontrar trabalho, segundo as suas capacidades, e outras limitações de vários géneros. Os jovens vivem, assim, num ambiente de incerteza, de dúvida, de inquietude, de medo do futuro. Procuram um sentido para a vida, mas dificilmente o encontram nesta sociedade de consumo.
Este tipo de fragilidade juvenil pode resumir-se em vários tópicos: a) inconsistência pessoal, devido à escassa e difícil integração social na sociedade de consumo; b) afetividade de fusão, que já se manifesta na adolescência, com a procura voluntariosa da satisfação das relações interpessoais e de casal; c) “grupo-dependência”, ou “gregário-dependência”, que se manifesta sobretudo na toxicodependência e noutros desvios sociais e se caracteriza pela busca ansiosa de pertença, de apoio, de proteção e de reconhecimento, manifestando-se tanto no campo ideológico como no religioso; d) falta de vontade de trabalhar, que se manifesta pela falta de empregos satisfatórios, mas sobretudo por dificuldades psicológicas face aos obstáculos colocados por uma sociedade altamente competitiva; e) religiosidade fragmentada e subjetivada, problema próprio de uma sociedade em que há uma panóplia de religiões e movimentos espirituais, por vezes contraditórios e mesmo opostos entre si, donde resulta a indecisão de escolha nos jovens, ainda sem bases humanas e religiosas que os levem a optar decididamente pelo cristianismo e a comprometerem-se na vida da Igreja, seguindo mesmo a vocação religiosa e sacerdotal.
Bibliog.: ALVES, Herculano, “Os jovens na Bíblia”, in Raízes da Fé – Temas Bíblicos, vol. iii, Fátima/Lisboa, Difusora Bíblica/Paulinas, 2024, pp. 469-502; PIERI, Severino de, “Adolescentes”, in CENTRO INTERNACIONALE VOCACIONALE ROGATE (ed.), Dicionário de Orientação Vocacional, Lisboa, Paulinas, 2008, pp. 70-74; Id., “Jovens”, in CENTRO INTERNACIONALE VOCACIONALE ROGATE (ed.), Dicionário de Orientação Vocacional, Lisboa, Paulinas, 2008, pp. 793-794.
Maria Olinda Magalhães Ribeiro