Sinónimo de “mântica”, trata-se de uma palavra de origem grega que designa um conjunto de adivinhações ligadas originalmente ao paganismo. Está relacionada com um fenómeno popular da Antiguidade Clássica, os agüeros e as artes divinatórias. Dentre eles, encontra-se a cartomancia, que é a leitura com cartas, a aeromancia, a leitura a partir da observação do vento, e a dendromancia, a análise da morfologia das folhas e árvores.
O fenómeno mântico era composto por práticas que procuravam interpretar os sinais divinos, o que, no contexto grego, era o mesmo que descodificar os desejos dos deuses. Essas leituras oraculares não eram previsões baseadas em factos aleatórios, partindo, antes, de uma revisão do passado que encontrava as suas influências no presente e no seu possível futuro. Vale lembrar que grande parte das profecias da Antiguidade não se referia ao futuro, mas sim a interpretações do passado. Somente no segundo século da Era Comum é que surge a manifestação popular de procurar o futuro junto dos oráculos.
Manteis, ou mantis, era também o nome dado pelos gregos aos adivinhos, que faziam parte de um grupo heterogéneo ligado ao corpo sacerdotal ou aos exércitos. A pítia, ou pitonisa, do templo de Delfos, e.g., era considerada uma mantis. Os manteis dos exércitos tinham como principal função auxiliar nas decisões técnicas de guerras e organização dos membros, sendo que a maioria das leituras por si realizadas ocorria via necromancia, i.e., através da observação de vísceras de animais. Segundo Platão, essa classe de adivinhos era letrada e as suas funções estendiam-se a rituais de cura, frequentemente com recurso a sangue. Até mesmo o filósofo Empédocles, o grande responsável pela ideia dos quatro elementos – fogo, terra, ar e água –, que considerava as raízes dos seres humanos, foi considerado no seu tempo um manteis, devido às suas práticas como curandeiro (COLLINS, 2009).
Bibliog.: COLLINS, D., Magia no Mundo Grego Antigo, São Paulo, Madras, 2009; FERREIRA, J. T. M., “Fontes platónicas da hermenêutica”, Didaskalia, n.º xxxiii, 2003, pp. 419-432; LOLLO, P., “Sideração, consideração, de-sideração: O desejo e o saber dos augúrios”, Estudos de Psicanálise, n.º 46, 2016, pp. 133-141.
Natasha Martins