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Menino

O menino, filho pequeno, diz-se, em grego, népios, pais/paidion, teknon, hyiós. Cada um destes termos tem um sentido específico: criança, pequeno, alguém que não tem ainda direitos, é inocente, um ser humano ainda a caminho da idade adulta… No entanto, alguns destes aspetos são mais significativos do que outros. Segundo a Bíblia e a cultura em geral, o menino é símbolo da inocência original, do estado paradisíaco, onde (ainda) não há maldade, pecado e cujas virtudes fundamentais são a simplicidade e a espontaneidade.

Apesar de ser um nome carinhoso, na cultura semita, que influenciou a Bíblia, o menino/menina é um “ser a caminho”, que “ainda não é” ser adulto; isto é, não tem a plenitude dos direitos e, por vezes, é tratado com demasiado rigor. S. Paulo fala desta situação em relação aos cristãos ainda não adultos na fé: “Durante todo o tempo em que o herdeiro é criança, em nada difere de um escravo, apesar de ser senhor de tudo. Pelo contrário, está sob o domínio de tutores e administradores, até ao dia fixado pelo seu pai. Assim também nós, quando éramos crianças, estávamos sob o domínio dos elementos do mundo, a eles sujeitos como escravos” (Gl 4, 1-3).

Especial importância tinha o filho primogénito, que era consagrado ao Senhor, porque, para os pais, era uma garantia de que iam nascer mais filhos depois dele. Daí ele ser o mais importante dos filhos, no que toca à herança familiar e às bênçãos do pai de família, segundo a estrutura da família patriarcal.

 

Nos Evangelhos

Jesus fala com certa frequência das crianças, dos meninos. Mas não podemos interpretar estes termos apenas sob o ponto de vista da idade. Jesus abençoava as crianças, mas nelas via todos os pequeninos do mundo, os pequenos no poder, no ter e também no ser. No fundo, para Jesus, pequeninos são todos os pecadores, as mulheres de má vida, os cobradores de impostos, etc. (Lc 15; 18, 9-17; 19, 1-10…; Mt 18, 1-14). Numa palavra, Jesus veio ao mundo fazer-se menino, criança, para estar ao lado de todos os desprezados, os sem direitos e apenas com deveres… Estes sentiram que Jesus era o único que estava ao seu lado, perante a prepotência dos “adultos”, dos que conheciam bem todas as leis e todos os rituais da religião, mas desprezavam… os meninos e meninas grandes; e ainda os detentores do poder, do dinheiro, e fautores de injustiças e de todo o género de prepotência contra os “meninos” em todas as sociedades e em todos os tempos.

Esta é a mensagem central, o sentido mais profundo de Menino, tanto nos Evangelhos como no cristianismo em geral.

 

Bibliog.: ALVES, Herculano, 50 Símbolos na Bíblia, 3.ª ed., Fátima, Difusora Bíblica, 2017, pp. 279-287; LÉON-DUFOUR, Xavier, Dictionnaire du Nouveau Testament, Paris, Seuil, 1975, pp. 226-227; MACKENZIE, John L., Dicionário bíblico, São Paulo, Ed. Paulinas, 1984, pp. 349-350.

Herculano Alves

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