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Sinédrio

O termo “Sinédrio” é uma hebraização da palavra grega synedrion, cujo significado é “assembleia”. Trata-se do mesmo vocábulo utilizado para o Areópago, em Atenas. As suas origens remontam à época do declínio da era dos macabeus, no tempo de João Hircano. O papel exercido pelos “anciãos”, que no tempo dos primeiros macabeus era chamado de “o tribunal dos asmoneanos”, oportunizou a criação do Sinédrio. Era o supremo tribunal dos judeus, localizado em Jerusalém. Pode-se dizer que era a assembleia mais importante do país, pela sua própria essência. No entanto, exatamente pela sua notabilidade, estendia a sua abrangência aos judeus espalhados por todo o Império Romano, o mundo conhecido da época. Conquanto todos voltassem a sua atenção para essa assembleia, na prática ela pouco podia fazer além das fronteiras da Judeia. Vemos no Livro de Atos dos Apóstolos que Saulo solicita cartas do sinédrio às sinagogas de Damasco para auxiliá-lo na prisão de cristãos (9, 2). No mesmo livro notamos as palavras de judeus de Roma ao apóstolo Paulo informando não terem recebido qualquer instrução escrita da Judeia a seu respeito (28, 21).

O Sinédrio exercia a suprema autoridade espiritual em toda a Palestina, facto claramente percetível na época de Cristo. Passou a ser uma espécie de “senado judaico” quando a Judeia foi elevada à categoria de província romana, em 6 d.C., passando a ser a mais alta representação política dos judeus. Uma das suas principais responsabilidades nesta condição era gerir e fiscalizar as onze toparquias, as divisões que os romanos impuseram ao território da nova província. Além disso, alçado à suprema autoridade dos judeus, funcionava também como a suprema instância para os assuntos judiciários da província. Deste modo, tinha uma importante função quanto à unidade do povo, tanto dentro das suas fronteiras, quanto das dos judeus helenistas, os nascidos e residentes fora da Judeia. Também nesse aspeto Jerusalém se beneficiava, pois o Sinédrio agregava a administração de todas as vilas que formavam a periferia da cidade. Os sumos sacerdotes tinham assento como membros do Sinédrio e participavam nos julgamentos, como aconteceu no processo contra Jesus e depois contra os apóstolos e, ainda, quando se deu o interrogatório de Paulo. Aparentemente, era constituído, pelo menos, por um sumo sacerdote, um comandante do Templo, um vigilante do Templo e três tesoureiros. A esse número somavam-se ainda os sumos sacerdotes depostos, bem como os sacerdotes e tesoureiros, podendo alcançar 71 membros.

Participavam ainda como membros os chamados “anciãos”, ou “chefes do povo”, e os escribas. Fontes rabínicas chamam-lhe o “Grande Sinédrio”. Havia ainda sinédrios menores, cortes para julgamentos constituídas de 23 integrantes, responsáveis por julgar crimes e violações à lei dos judeus.

Bibliog.: EDERSHEIM, Alfred, The Life and Times of Jesus The Messiah, Grand Rapids, Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1976; HOENING, Sidney B., “Sanhedrin”, in Encyclopedia Britannica, vol. 19, Chicago/London/Toronto/Geneva/Sidney, William Benton Publisher, 1963; JEREMIAS, Joaquim, Jerusalém no Tempo de Jesus, São Paulo, Edições Paulinas, 1986; WRIGHT, Brian J. Communal Reading in the Time of Jesus: A Window into Early Christian Reading Practices, Minneapolis, Fortress Press, 2017.

 

Jair de Almeida Júnior

Autor

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