Esta é uma lei de carácter tribunalício, cujo nome vem do latim, talis (“tal… tal”), i.e., a tal crime, tal castigo. Na Bíblia, esta lei recebe o nome de “olho por olho, dente por dente”; ou seja, se alguém arranca o olho a uma pessoa, esta pode exigir fazer o mesmo ao agressor. Apesar do que possa parecer, esta lei era muito positiva, porque refreava os instintos que davam origem à lei anterior, a “lei da selva” ou do mais forte. Esta última é a lei de Caim sobre Abel e sobretudo a violência de Lamec (Gn 4, 23-24). A lei de talião aplicava-se a grandes e pequenos, conforme as circunstâncias. Esta lei aparece já no Código de Hammurabi (arts. 196, 197, 200) e foi adotada pela Bíblia, que aceitou as leis internacionais do seu tempo (cf. Ex 21, 23-25; Lv 24, 18-21; Dt 19, 21). Podia ser comutada por uma sanção pecuniária.
Jesus aboliu esta lei porque, certamente, a considerava ainda muito frágil para estabelecer a paz entre os seres humanos. Mais ainda em regime tribal, onde vingança gera vingança. Era necessário pôr fim ao círculo de ferro da vingança. Só o perdão pode quebrar tal círculo. Por isso, Jesus afirma de modo contundente: “‘Ouvistes o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos: Não oponhais resistência ao mau. Mas, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém quiser litigar contigo para te tirar a túnica, dá-lhe também a capa. E se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pedir emprestado. Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem’” (Mt 5, 38-44; cf. Rm 12, 19-21).
Bibliog.: GÉRARD, André-Marie, “Talion”, in Dictionnaire de la Bible, Paris, Éd. Robert Lafont, 1989, pp. 1308-1309; “Taglione (Legge del)”, in SPADAFORA, Francesco (dir.), Dizionario Biblico, Roma, Editrice Studium, 1957, pp. 569-570; VINCENT, Albert, “Talion”, in Lexique Biblique, Tournai, Éd. de Maredsous/Castermann, 1961, p. 454.
Herculano Alves