Do grego tele, “distância”, e patheia, “sentir”. Também conhecida como transferência de pensamento, perceção extrassensorial, projeção mental, entre muitos outros nomes, é um fenómeno de transmissão e captação de imagens, sensações ou ideias mentais. Baseia-se na comunicação mental ou por meio de sonhos entre duas ou mais pessoas.
O termo foi usado pela primeira vez por Fredric Myers, fundador da Sociedade para Pesquisa Psíquica, no ano de 1882. Na contemporaneidade, a telepatia é considerada uma parte dos estudos de parapsicologia. Entretanto, apesar de diversas experiências terem sido realizadas com o propósito de a investigar, pouco se avançou do ponto de vista oficial da ciência. Freud estudou o fenómeno, e nos seus escritos confirma a sua existência, mas não explica a sua ocorrência, chamando-o de “comunicação dos inconscientes”. O pai da psicanálise associa ainda a telepatia aos fenómenos premonitórios por meio dos sonhos.
Segundo o espiritismo de Allan Kardec, a telepatia é a linguagem dos espíritos, onde é possível reproduzir comunicação entre pessoas sem o uso de sinais ostensivos. Já no ocultismo, entende-se que o espaço é menos relevante do que a força emocional existente entre dois sujeitos. Portanto, é possível realizar um diálogo entre duas pessoas, estando próximas uma da outra, como entre pessoas que estão distantes, pois o que define a ocorrência ou não desta comunicação é o campo emocional e o quanto cada pessoa está disposta a sentir.
A telepatia está na base de estudo, direta ou indiretamente, de muitas escolas esotéricas, sendo considerada uma manifestação mediúnica. Há casos relatados de pessoas que desenvolvem esta habilidade com a intenção de ler mentes, sonhos ou comunicar entre si secretamente, mas há também casos de pessoas em que o médium recebe informações involuntariamente.
Assim como acredita grande parte dos estudantes de mediunidade e clarividência, a telepatia pode ocorrer de formas distintas em momentos e pessoas diferentes. Alguns consideram que ela ocorre de forma mais clara e profunda em ocasiões de fortes tensões, situações dramáticas, quando o corpo ativa outras regiões cerebrais e busca por alguma resposta. Todavia, para a maior parte dos escritores, a alimentação, os pensamentos e determinados comportamentos, como o hábito de meditar, interferem diretamente na capacidade de obter uma boa telepatia.
Há outro fator que costumeiramente se conecta com a telepatia, o chamado elo simpático. Quanto mais simpatia duas pessoas possuírem uma pela outra, maior a sua ligação afetiva e portanto, maior será o elo simpático entre elas. O elo simpático é o fio condutor das informações levadas até aos indivíduos, quando em estado telepático. Desta forma, é mais fácil que duas pessoas que já se conheçam e tenham certa afinidade consigam realizar telepatia de modo eficaz, quando comparadas com duas pessoas que não se conhecem ou não têm nada em comum.
Bibliog.: FREUD, S., “Psicanálise e telepatia, (1921) 1941”, in Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Imago, Rio de Janeiro, 2000; MANZI FILHO, R., “O índice de um enigma: O inconsciente e o fenômeno da premonição”, Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, n.º 16, 2, 2013, pp. 251-266.
Natasha Martins