Na linguagem corrente, “trajetória” é sinónimo de trajeto, caminho, percurso. Na física, trajetória é o percurso que segue um objeto, sob a ação de uma força ou de um conjunto de forças. Na física newtoniana, a trajetória de qualquer objeto fica perfeitamente determinada pelas condições iniciais (posição e velocidade à partida) e as forças aplicadas ao longo do percurso. Por isso, a física newtoniana é determinista: parece não deixar margem para conceitos como a liberdade e a escolha. No entanto, a dependência extrema das condições iniciais em muitos fenómenos e o facto de não podermos ter uma precisão infinita na prática para as condições iniciais torna esse determinismo limitado e, por isso, inconsistente.
Na física quântica, o conceito de trajetória deixa de se aplicar. Um objeto quântico tem em conta todos os caminhos possíveis para chegar de um ponto a outro e não é possível determinar por qual seguiu; existe uma certa probabilidade de seguir por cada um deles. Podemos dizer, como fazemos na experiência das “duas fendas”, que o objeto vai ao mesmo tempo por todos os caminhos: é uma onda.
Bibliog.: MORIN, David, Introduction to Classical Mechanics, Cambridge University Press, 2008; TAYLOR, John R., Classical Mechanics, Mill Valley (California), University Science Books, 2005.
Ricardo Mendes Ribeiro