O termo “valor” (do lat. valeo, “ter saúde, peso, poder, crédito”) é amplamente utilizado no vocabulário comum. Se atendermos à sua origem, percebemos que os valores são “bens” ou “realidades importantes”, aos quais se atribui um determinado valor. Entre eles, distinguem-se os valores materiais, os humanos (que podem ser pessoais ou sociais) e os transcendentais (ou imateriais). A diferença entre os valores leva a que, muitas vezes, se fale da sua hierarquia, atendendo à ordem dos seus princípios e fins. À teoria geral acerca dos valores chama-se axiologia (do étimo gr. áksios, “ponderável, valioso, digno”), termo que se generalizou no vocabulário filosófico a partir do séc. xx.
Há quem se refira aos valores como preferências ou motivações justificadas moralmente (KLUCKHOHN, 1951); há quem os apresente como crenças ou prioridades (ROKEACH, 1960), ou como princípios construídos a partir de determinados julgamentos (ROHAN, 2000); há quem os entenda como sendo inerentes ao objeto, adquirindo significado somente na interação social (HANDY, 1970); e há, ainda, os que referem que eles se encontram no indivíduo (WILLIAMS, 1968).
Podemos falar deles através da sua estrutura, saliência e grau de consensualidade. Estas dimensões têm sido operacionalizadas em diversas pesquisas quantitativas e dado origem a diferentes taxonomias de valores (e.g., MASLOW, 1954; ROKEACH, 1973; INGLEHART, 1977; SCHWARTZ, 1992), bem como a estudos em diferentes áreas, entre as quais a análise de atitudes religiosas (e.g., PAIS, 2001; VILAÇA, 2001; FERNANDES, 2003; HALMAN e DRAULANS, 2004; DUQUE, 2014, TEIXEIRA, 2014).
Bibliog.: DUQUE, Eduardo, Mudanças Culturais. Mudanças Religiosas. Perfis e Tendências da Religiosidade em Portugal numa Perspetiva Comparada, Vila Nova de Famalicão, Húmus, 2014; FERNANDES, António Teixeira, “Valores e atitudes religiosas”, in VALA, Jorge et al. (orgs.), Valores Sociais: Mudanças e Contrastes em Portugal e na Europa, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2003, pp. 123-197; HALMAN, Loek e DRAULANS, Veerle, “Religious beliefs and practices in contemporary Europe”, in ARTS, Wil e HALMAN, Loek. (orgs.), European Values at the Turn of the Millennium, Leiden, Koninklijke Brill NV., 2004, pp. 283-316; HANDY, Rollo, The Measurement of Values, Saint Louis, Warren H. Green, 1970; INGLEHART, Ronald, The Silent Revolution, Princeton, Princeton University Press, 1977; KLUCKHOHN, Clyde, “Values and value orientation in the theory of action”, in PARSONS, Talcott e SHLDS, Edward (eds.), Toward a General Theory of Action, Cambridge, Harvard University Press, 1951; MASLOW, Abraham, Motivation and Personality, New York, Harper and Row, 1954; PAIS, José Machado et al. (orgs.), Religião e Bioética. Atitudes Sociais dos Portugueses, vol. ii, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2001; ROHAN, Meg, “A rose by any name? The values construct”, Personality and Social Psychology Review, vol. 4, n.º 3, 2000, pp. 255-277; ROKEACH, Milton (org.), The Open and Closed Mind, New York, Basic Books, 1960; Id., The Nature of Human Values, New York, Free Press, 1973; SCHWARTZ, Shalom, “Universals in the content and structure of values: Theoretical advances and empirical tests in 20 countries”, Advances in Experimental Social Psychology, vol. 25, 1992, pp. 1-65; TEIXEIRA, Alfredo, “Fátima – Representações, valores e práticas”, in VARANDA, Isabel e TEIXEIRA, Alfredo (coords.), “Não Tenhais Medo”. A Confiança, Um Estilo Cristão de Habitar o Mundo, Fátima, Santuário de Fátima, 2014, pp. 319-345; VILAÇA, Helena, “Identidades, práticas e crenças”, in PAIS, José Machado et al. (orgs.), Religião e Bioética. Atitudes Sociais dos Portugueses, vol. ii, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2001, pp. 73-128; WILLIAMS, Robin, “Values. The concept of values”, in SHILS, David (ed.), International Encyclopedia of the Social Sciences, vol. 16, New York, The MacMillan Company & The Free Press, 1968, pp. 283-287.
Eduardo Duque