A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Coloma, Luis

O P.e Luis Coloma Roldán (1851-1915) tem uma biografia dividida ao meio por um atentado contra a sua vida, cometido em 1872, que o deixou gravemente ferido e o levou a decidir-se pelo sacerdócio na Companhia de Jesus. Antes disso, frequentara os meios aristocráticos madrilenos, marcando presença nas tertúlias elegantes, tendo mesmo publicado, em 1871, uma obra literária na linha da narrativa idealista e “costumbrista” de Fernán Caballero, pseudónimo de Cecilia Böhl de Faber (1796-1877): Solaces de Un Estudiante (Cuadro de Costumbres Españolas).

Depois da sua particular queda do cavalo rumo a Damasco, tornar-se-á um jesuíta eminente pelos seus trabalhos na área das letras, dentre os quais se destaca a sua obra-prima, o romance Pequeñeces, publicado primeiro em folhetim, ao longo de 1890-1891, e mais tarde em volume, em 1891, com o assinalável êxito de ter tido três edições no ano do seu lançamento. Obra moralista, que pode chegar a incomodar o leitor pelos juízos implícitos presentes no desenho das suas personagens, Pequeñeces constitui também um retrato irónico, implacável, da elite madrilena e espanhola, feito com traços quase naturalistas, na linha da obra do romancista Leopoldo Alas “Clarín” (1852-1901). Além disso, Pequeñeces assume, por vezes, rasgos de literatura folhetinesca, sendo que neste romance a condenação do pecado dos privilegiados da alta sociedade de Madrid convive com um estranho fascínio por essas mesmas figuras criticadas, apresentadas quase sempre na sua mais profunda intimidade, dentre as quais se destaca a condessa de Albornoz, mais conhecida por Currita.

Além desta narrativa de referência e de várias obras de inspiração “costumbrista”, Coloma publicou ainda contos para a infância e biografias.

 

Obras de Luis Coloma: Solaces de Un Estudiante (Cuadro de Costumbres Españolas) (1871); Pequeñeces (1891).

 

Bibliog.: ZAVALA, Iris M. (ed.), Historia y Crítica de la Literatura Española, vol. 5: Romanticismo y Realismo, Barcelona, Crítica, 1982.

 

Luís Gabriel Magalhães

Autor

Scroll to Top