Desde Homero que o termo “génese” (do grego génesis) se encontra expandido desde o simples nascimento como processo biológico até ao processo de passagem ao ser. Se em Homero o termo era proposto numa estrutura mítica, é a partir dos filósofos pré-socráticos que o conceito se torna fundamental para a perceção do mundo, não como fundamento das coisas, mas como atividade de vir a ser. Ao tentarem encontrar uma solução para a pergunta sobre o mundo, os filósofos pré-socráticos procuraram precisamente os elementos que permitem a geração das coisas, e em alguns casos a sua própria destruição, i.e., o elemento de que tudo era gerado, a causa das coisas tal como elas são percebidas pelo Homem. Para além do mais, a noção fática de que um corpo se transforma noutro, gerando em si mesmo o diferente, bem como a noção de que algo pode vir a ser do não-ser, propõe ainda hoje ao pensamento uma interrogação. Tanto que foi logo Parménides quem negou a possibilidade de tal acontecer: mudança e geração do nada são logicamente indefensáveis.
Os filósofos posteriores procuraram, assim, um compromisso entre essa génese absoluta impossível e a génese secundária, que permitiria encontrar um elemento sobre o qual tudo deverá ser pensado (e gerado). Por razões diversas, foram postulados desde a água, o fogo ou princípios como o apeiron, indefinido por natureza.
Bibliog.: KIRK, G. S. e RAVEN, J. E., Os Filósofos Pré-Socráticos, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1990; PETERS, F. E., Termos Filosóficos Gregos: Um Léxico Histórico, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1983.
João Emanuel Diogo