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Bourbon-Parma, Zita de

Zita Maria da Graça Aldegunda Micaela Rafaela Gabriela Josefhina Antonia Luísa Agnes de Bourbon-Parma (Camaiore, Itália, 9 de maio de 1892 – Zizers, Suíça, 14 de março de 1989) foi a última imperatriz da Áustria e rainha da Hungria e da Boémia. Filha do último duque reinante de Parma e Plasencia, Roberto I, e da sua segunda mulher, D. Maria Antónia de Bragança – uma das muitas filhas de D. Miguel, rei deposto de Portugal –, recebeu uma educação marcadamente católica, tendo frequentado a escola de salesianas em Zamgberg, na Baviera. Passou ainda alguns meses no convento beneditino da ilha de Wight, onde a avó materna, D. Adelaide, vivia como monja. Em 1911, desposou um primo, um homem profundamente religioso, o arquiduque austríaco Carlos. Tiveram oito filhos: Oto (1912), Adelaide (1914), Roberto (1915), Félix (1916), Carlos Luís (1918), Rodolfo (1919), Carlota (1921) e Isabel (1922).

Em 1914, o marido tornou-se herdeiro do Império Austro-Húngaro e, dois anos depois, sucedeu a Francisco José I na chefia do Estado. Decorria então a Primeira Guerra Mundial e Zita afadigou-se em múltiplas tarefas assistenciais, não deixando de amparar e até mesmo influenciar o marido nas matérias da governação. Ambos desejaram o regresso da paz. Em 1918, com o fim do conflito bélico, a monarquia foi abolida e ruiu o Império Austro-Húngaro, nascendo quatro novos países: a Áustria, a Hungria, a Checoslováquia e a Jugoslávia. A família imperial exilou-se na Suíça e, em 1921, instalou-se na ilha da Madeira, onde Carlos I veio a morrer, a 1 de abril de 1922.  A viúva e os filhos passaram então alguns anos em Espanha, transferindo-se depois, em 1929, para a Bélgica.

Em 1940, mergulhada de novo a Europa numa guerra, a imperatriz rumou ao continente americano, com uma passagem rápida por Lisboa. Viveu os anos que se seguiram no Canadá, concretamente no Quebeque, mudando-se, depois do fim da guerra, para Tuxedo, no estado norte-americano de Nova Iorque. Entretanto, envolveu-se nos esforços para a canonização do seu falecido marido, cujo processo de beatificação foi aberto em 1949. Em 1953, regressou à Europa, escolhendo o Luxemburgo, onde acompanhou os últimos anos de vida da mãe, que morreu aos 96 anos, em 1959. Em 1962, instalou-se naquela que seria a sua residência definitiva, uma casa de repouso de religiosas em Zizers, no cantão de Graubünden (Suíça), paredes meias com um convento, onde assistia diariamente à missa. Passava vários meses ao ano na Abadia beneditina de S.ta Cecília de Solesmes, Diocese de Le Mans (França), onde três irmãs suas, Maria das Neves, Francisca e Maria Antónia, eram monjas.

Regressou algumas vezes a Portugal: em 1967, assistiu à trasladação dos restos mortais de seus avós maternos, D. Miguel e D. Adelaide; no ano seguinte, tomou parte, no Funchal, na bênção da nova capela tumular de seu falecido marido e achou-se nas exéquias de D. Maria Francisca, duquesa de Bragança, em Lisboa; em 1972, testemunhou, uma vez mais no Funchal, o reconhecimento dos restos mortais de Carlos I no âmbito do respetivo processo de beatificação.

Regressou à Áustria, muitas décadas volvidas sobre a partida para o exílio, em 1982, tendo a autorização resultado de um pedido do rei de Espanha, Juan Carlos, ao chanceler austríaco Bruno Kreisky. Morreu num hospital de Zizers, a cerca de dois meses de completar 97 anos. As exéquias decorreram em Viena, com as honras que outrora se prestavam aos imperadores. Os restos mortais foram depositados na cripta da antiga igreja dos Capuchinhos, igualmente na capital austríaca, indo o coração para junto do de Carlos I, no mosteiro beneditino de Muri, na Suíça. O imperador foi beatificado em 2004 e, quatro anos depois, a Congregação para a Causa dos Santos autorizou a abertura do processo de beatificação da própria Zita, que corre desde 2009, na Diocese de Le Mans, com o P.e Cyrille Debris como postulador.

 

Bibliog.: BROOK-SHEPHERD, Gordon, The Last Empress: The Life and Times of Zita of Austria-Hungary: 1892-1989, London, Harper-Collins, 1991; FARIA, Teodoro de, Beato Carlos da Áustria. Os Habsburg na Madeira, Funchal, Direção Regional dos Assuntos Culturais, 2011; JUDSON, Pieter M., The Habsburg Empire. A New History, Cambridge, Belknap, 2016.

 

Paulo Drumond Braga

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