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Acquaviva, Claudio

Filho do duque de Atri, Claudio Acquaviva nasceu nesta cidade, na província de Téramo, em Itália, a 14 de setembro de 1543. Antes de se tornar camareiro do Papa Pio IV, estudou Direito em Perúgia, além de História da Igreja e dos Santos Padres. Ingressou na Companhia de Jesus em 1567. Depois de ser ordenado, em 1574, lecionou no Colégio Romano, tendo sido posteriormente reitor do Collegium Maximum, em Nápoles, em 1575, provincial da província napolitana, em 1576, e provincial da província romana, em 1579.

Em 1581, com apenas 37 anos, foi eleito superior-geral da Companhia pela Quarta Congregação Geral, vindo a desempenhar um dos períodos mais longos como geral na história da Companhia, até à data da sua morte, ao longo de 35 anos de administração e durante oito pontificados.

Aquando da sua eleição, a Companhia contava com mais de 5000 membros, número que, durante o seu generalato, mais do que duplicou, chegando a ordem a alcançar 13.000 membros e mais de 350 faculdades. Face ao crescimento constante, Acquaviva adotou uma política de contenção das novas fundações. Havia grupos de jesuítas que pensavam que o propósito original da ordem (ou seja, a pregação, a direção espiritual e a orientação dos Exercícios) havia sido relaxado em favor da ciência, das controvérsias, da pedagogia, etc. Esses jesuítas encontraram apoio espiritual nos escritos da tradição mística do Norte da Europa e da escola do Carmelo. As queixas sobre o effusio ad exteriora (absorção para o mundo exterior) relatavam que a Companhia se perdia no trabalho apostólico, negligenciando a oração e a meditação. Por isso, Acquaviva atuou na redefinição e consolidação da identidade jesuítica, promovendo uma renovação do espírito e do dinamismo apostólico da ordem, ancorada na vocação missionária transmitida por Inácio de Loyola, com um forte acento numa espiritualidade cristocêntrica, apostólica e fundada nos Exercícios Espirituais.

Atuando na construção de uma “vida interior”, bem como na maior definição do carisma da Companhia, estipulou uma espiritualidade que estava situada a meio caminho entre a meditação discursiva e a contemplação passiva. Para fazer assimilar a fidelidade carismática ao instituto, Acquaviva estabeleceu uma imagem oficial de Inácio (Vita Ignatii Loiolae de Ribadeneyra) e publicou muitos textos espirituais curtos ad usum nostrorum tantum (para uso interno) – extratos e antologias, incluindo das cartas de superiores-gerais –, que tinham a intenção de regular a vida espiritual dos Jesuítas. Como superior-geral, supervisionou a revisão e promulgação do Ratio Studiorum (1599), as diretrizes educacionais utilizadas pelas escolas jesuítas em todo o mundo, e, em 1591, publicou o  Directorium Exercitiorum Spiritualium P. N. Ignatii, um guia para os jesuítas que ministravam os Exercícios Espirituais, além de encomendar a primeira história geral da Companhia, publicada em 1614. Promoveu igualmente o gubernatio espiritualis, fundado numa rigorosa conceção da centralidade do papel do geral como difusor e defensor da autenticidade e originalidade do instituto inaciano, através de uma obra de codificação sem precedente.

Morreu em Roma, a 31 de janeiro de 1615.

Obras de Claudio Acquaviva: Directorium Exercitiorum Spiritualium P. N. Ignatii (1591). 

Bibliog.: BROGGIO, Paolo et al. (eds.), I Gesuiti ai Tempi di Claudio Acquaviva: Strategie Politiche, Religiose e Culturali tra Cinque e Seicento, Brescia, Morcelliana, 2007; DE CERTEAU, Michael, “La réforme de l’intérieur au temps d’Aquaviva”, in Les Jésuites. Spiritualité et Activités, Jalons d’Une Histoire, Paris/Roma, Éditions Beauchesne, 1974, pp. 53-69; DE GUIBERT, Joseph, “Le généralat de Claude Aquaviva (1581-1615). Sa place dans l’histoire de la spiritualité de la Compagnie de Jésus”, Archivum Historicum Societatis Iesu, n.º 10, 1941, pp. 59-93; FOIS, Mario, “Il generale dei Gesuiti Claudio Acquaviva (1581-1615): I sommi pontefici e la difesa dell’istituto ignaziano”, Archivum Historiae Pontificiae, n.º 40, 2002, pp. 199-233; MOSTACCIO, Silvia, Early Modern Jesuits between Obedience and Conscience during the Generalate of Claudio Acquaviva (1581-1615), Ashgate, VT, 2014.

Luiz Fernando Medeiros Rodrigues

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