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Auto de los Reyes Magos

Drama litúrgico do último quartel do séc. xii inscrito na tradição que, a partir do Evangelho segundo Mateus, configura a lenda da adoração dos três reis magos do Oriente. Os seus 147 versos, transcritos nas folhas finais de um códice achado na Catedral de Toledo no séc. xviii, emergem como um precioso ilhéu no meio do oceano de ignorância acerca do teatro medieval em língua castelhana, de que não restam mais amostras desde este que é o seu mais recuado testemunho textual até ao séc. xv. O eixo temático à volta do qual gira a peça, a distinção entre verdade e mentira, é logo introduzido nos solilóquios iniciais dos três steleros ou astrólogos que a protagonizam. Dessa questão intelectual articulante resultam os elementos distintivos que apresenta o Auto com respeito à tradição do Ordo stellae a que pertence. Assim, por um lado, incorpora um motivo pouco comum, embora presente em certos poemas narrativos franceses sobre a infância de Jesus baseados nos evangelhos apócrifos: o recurso às oferendas para apurar a verdadeira natureza do recém-nado (rei da terra, homem mortal ou rei celestial), segundo aquela que for a sua escolha (ouro, mirra ou incenso, respetivamente). Por outro lado, a disputa dos dois rabinos, conselheiros de Herodes, em torno da correta interpretação das profecias do Antigo Testamento que brinda a cena final, totalmente inovadora, funciona em jeito de contra-exemplum: enquanto os magos simbolizam, na sua forma de proceder, a perfeita aliança entre fé e razão, os sábios judeus representam a anulação da razão pela falta de fé verdadeira.

 

Bibliog.: impressa: DEYERMOND, Alan, “El Auto de los Reyes Magos y el renacimiento del siglo xii”, in NEUMEISTER, Sebastian (dir.), Actas del IX Congreso de la Asociación Internacional de Hispanistas, vol. i, Frankfurt, Vervuert Verlag, 1989, pp. 187-194; PESTANA, Sebastião (ed.), Auto de los Reyes Magos. Texto Castelhano Anónimo do Século XII, Lisboa, Revista Ocidente, 1965; VIÑES, Hortensia, “El Auto de los Reyes Magos desde el punto de vista de la significación”, Príncipe de Viana, vol. 38, n.º 148-149, 1977, pp. 493-504; digital: GUTIÉRREZ, César, “Estudio y edición del Auto de los Reyes Magos: análisis paleográfico, lingüístico y literario”, Diálogo de la Lengua, I, 2009, pp. 26-69: http://www.dialogodelalengua.com/articulo/pdf/2-Gutierrez-dl-Auto.pdf (acedido a 23.10.2020); PÉREZ PRIEGO, Miguel Ángel, “El Auto de los Reyes Magos”, Arbor, vol. CLXXVII, n.º 699-700, 2004, pp. 611-621: https://doi.org/10.3989/arbor.2004.i699/700.598 (acedido a 23.10.2020);

 

Ana Belén Cao Míguez

Autor

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