Depois de se ter dedicado a escrever histórias de ação e intriga, livros que funcionam muitas vezes como thrillers, entre os quais podemos incluir Rumour at Nightfall (1931), Stamboul Train (1932), It’s a Battlefield (1934), England Made Me (1935) ou A Gun for Sale (1936), Graham Greene assinou cinco romances de inspiração católica, nos quais se misturam a reflexão existencial e a espiritualidade com os elementos de uma narrativa de entretenimento destinada ao grande público. Essas obras são Brighton Rock (1938), The Power and the Glory (1940), The Ministry of Fear (1943), The Heart of the Matter (1948) e The End of the Affair (1951). Esta capacidade de combinar os ingredientes do thriller narrativo com um fluir de inquietações espirituais constitui a grande novidade deste autor, tornando-o uma referência na área do chamado “romance católico”, âmbito no qual, em Portugal, se destacou Francisco Costa. Para além disso, deve sublinhar-se nestes romances uma curiosa aproximação ao fenómeno do mal, sentido como uma perseguição constante e, também, como uma parte da nossa possível santidade, algo que o aproxima do escritor francês François Mauriac. Em The Power and the Glory, e.g., o sacerdote protagonista constitui uma fascinante mistura de teimosos pecados e de inesperadas virtudes. Os caracteres da ficção de Greene oscilam, assim, entre a autodestruição e a redenção.
O escritor nasceu em 1904, no Reino Unido, e a sua conversão ao catolicismo deu-se na sequência do seu encontro com Vivien Dayrell-Browning, católica, com quem casará em 1927. A biografia de Greene esteve à altura da sua obra literária, na medida em que viajou muito ao longo de toda a sua vida e trabalhou, entre 1941 e 1944, nos serviços secretos britânicos. O seu percurso espiritual, marcado pela passagem ao catolicismo, deve ser posto em paralelo com o de outros intelectuais do Reino Unido seus contemporâneos, como G. K. Chesterton, Evelyn Waugh, Dorothy Sayers ou T. S. Eliot. Depois do ciclo dos seus cinco romances católicos, Greene publicará outras obras que conhecerão êxito internacional: e.g., The Quiet American (1955), Our Man in Havana (1958), The Comedians (1966) e The Honorary Consul (1973).
Greene teve um grande interesse pelo cinema, o que marcou a sua obra literária, sendo que esta também foi em várias ocasiões adaptada ao grande ecrã. A sua novela The Third Man (1949) constitui um bom exemplo destas cumplicidades, uma vez que servirá de base para o argumento que o próprio Green escreverá para o filme com o mesmo título realizado por Carol Reed.
Greene veio a falecer em 1991.
Obras de Graham Greene: Rumour at Nightfall (1931); Stamboul Train (1932); It’s a Battlefield (1934); England Made Me (1935); A Gun for Sale (1936); Brighton Rock (1938); The Power and the Glory (1940); The Ministry of Fear (1943); The Heart of the Matter (1948); The Third Man (1949); The End of the Affair (1951); The Quiet American (1955); Our Man in Havana (1958); The Comedians (1966); The Honorary Consul (1973).
Bibliog.: COLL-VINENT, Sílvia, “Graham Greene: Entre la vida, la ficció i la fe”, Recerca, n.º 76, pp. 1-16 [suplemento de Catalunya Franciscana, ano 56, n.º 264, maio-ago. 2020]; MADAULE, Jacques, Graham Greene, Paris, Éditions du Temps Présent, 1950; PEARCE, Joseph, Escritores Conversos: La Inspiración Espiritual en Una Época de Incredulidad, trad. ESTEBAN VILLAR, Gloria, 2.ª ed., Madrid, Palabra, 2007; SANDERS, Andrew, The Short Oxford History of English Literature, 2.ª ed., Oxford, Oxford University Press, 2000.
Gabriel Magalhães