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Incoerência

Do latim in- (prefixo negativo) e do particípio de cohaereo (“inconsistência”), diz-se incoerente uma proposição que não tem sentido lógico, isto é, de um argumento não se segue o argumento seguinte apresentado, por exemplo: “está a chover e todos os mamíferos são animais”. Diz-se de argumentos que não se seguem logicamente de outros.

Na teologia islâmica, o termo foi utilizado por Algazel na sua obra A incoerência (ou refutação) dos filósofos, onde critica a incoerência dos filósofos árabes anteriores em relação ao Islão, defendendo que não existe qualquer contradição entre a lei religiosa e a razão. Se anteriormente uns usavam a razão separada da verdade revelada, impondo um racionalismo que afastava a religião da filosofia, Algazel vem sublinhar que aquela está sempre em qualquer tipo de conhecimento. Ao refutar filósofos como Avicena ou Alfarabi, Algazel refuta também a utilização do aristotelismo no pensamento islâmico. Será, posteriormente, Averróis a lidar com a crítica de Algazel, ao sublinhar, na obra A incoerência da incoerência, a importância do aristotelismo no pensamento islâmico.

 

Bibliog.: impressa: al-Ghazali, Abu Hamid Muhammad, The incoherence of the philosophers, Provo, Brigham Young University Press, 2000; AVERRÓIS, Discurso decisivo sobre a harmonia entre a religião e a filosofia, Lisboa, IN-CM, 2006; Id., The Incoherence of The Incoherence, Oxford, E. J. W. Gibb Memorial Trust, 2012; digital: CARVALHO, Mário Santiago de, Falsafa: Breve introdução à filosofia arábico-islâmica, Coimbra, Instituto de Estudos Filosóficos, 2020: https://www.uc.pt/fluc/uidief/colecoes_eqvodlibet.

 

João Emanuel Diogo

Autor

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