Em 1504 nasceu, em Granada, Luis de Sarria, no seio duma família modesta. O seu pai é de origem galega e sobrevive apenas cinco anos ao nascimento do seu filho. A sua mãe, para poder sobreviver, trabalhará em parte ao serviço do convento dominicano dessa mesma cidade. Granada tinha sido reconquistada em 1492 pelos exércitos de Isabel, a Católica. Luis de Sarria vai ter a oportunidade de fazer os primeiros estudos como um familiar de D. Catarina e Luis Hurtado de Mendoza, condes de Tendilla, talvez porque o seu próprio pai trabalhou com essa família da aristocracia. Nesta descobriram as suas capacidades intelectuais e Luis de Sarria juntou-se aos filhos dos condes para iniciar o estudo das humanidades, recebendo deles um grande apoio para desenvolver o seu talento pessoal e dar seguimento à sua vontade de aprender.
Aos 20 anos, toma o hábito na Ordem dos Pregadores, no Convento de Santa Cruz La Real de Granada, a 15 de junho de 1524. Pronuncia os primeiros votos a 15 de junho de 1525, nas mãos do prior de Santa Cruz, Fr. Cristobal de la Cruz. Este frade será o primeiro provincial da nova Província Dominicana de Andaluzia. Recordemos que, por esses anos, o rei Carlos V se casou, em Sevilha, com a infanta portuguesa, Isabel de Portugal. E a viagem de núpcias levou os novos esposos até à Alhambra, em Granada. Ela dará à luz um filho, nascido em Valladolid, a 21 de maio de 1527, o futuro rei Filipe II. Trata-se, portanto, de um período muito rico, o desses anos de 1524 a 1529. Em maio de 1529, Fr. Luís vai continuar os seus estudos de Teologia no célebre colégio dominicano de São Gregório de Valladolid, onde os estatutos eram severos e muito exigentes. Ele assumiu o juramento de respeitar os estatutos do colégio a 11 de junho de 1529, e a partir desse dia passou a ser chamado de Fr. Luís de Granada, nome pelo qual ficaria conhecido na história. Logo em 1532, em Valladolid, Fr. Luís deu início à sua primeira publicação, a coletânea de comentários de Fr. Diego de Astudillo sobre Aristóteles, intitulada Super VIII libros physicorum et II libros de generatione et corruptione. De facto, o seu principal mestre nesses anos foi esse frade dominicano. Junto dele adquiriu um sentido agudo da crítica textual, uma assídua familiaridade com os textos de Aristóteles e também com o pensamento de S. Tomás de Aquino, que o ajudou a penetrar profundamente nas Sagradas Escrituras. Esta primeira apresentação de frater Ludovicus Granatensis (o seu nome latino) traduz já uma roupagem humanista, uma veia poética e uma agilidade mental notáveis, que o irão acompanhar ao longo de toda a sua longa vida.
Nesses mesmos anos, tendo sido criada a Província Dominicana de Santa Cruz das Índias, são solicitados frades para irem para aqueles territórios. Fr. Luís foi designado para fazer parte desse grupo e, por esse motivo, desloca-se até Sevilha, onde toma providências para viajar para a Nova Espanha. Entretanto, o seu provincial muda os planos que lhe tem destinados, pois necessita de alguém para restaurar um convento abandonado, na região de Córdoba. Nesse período, já em Sevilha, terá conhecido um futuro doutor da Igreja, S. João de Ávila, e terão feito juntos a viagem até Córdoba.
Fr. Luís é chamado para restaurar o Convento de Escalaceli, a 7 km de Córdoba, que estava praticamente abandonado desde 1530, um lugar marcado pela memória do Bem-aventurado Álvaro de Córdoba, que ali viveu no decorrer do séc. xv. Este será o período mais sereno da sua vida. S. João de Avila, padre diocesano, vem ali recolher-se sempre que pode, partilhando com Luís e outros membros da comunidade a oração comunitária e as refeições. Nessa época, começa a pregar em toda a região, em particular na Catedral de Córdoba. É desse tempo que data uma correspondência entre estes dois grandes autores espirituais: Luís de Granada e João de Ávila. Escalaceli é um lugar formoso, repousante, propício para a oração e a contemplação. Ali se enamora da oração, que vai ser um tema fundamental nos seus escritos. Uma boa parte dos Sermões de Fr. Luís, publicados em latim, encontra aqui a sua fonte. Percorre a Andaluzia e a Extremadura pregando afincadamente e servindo-se do exemplo que lhe inspira João de Ávila, também numa belíssima carta em que este o exorta sobre o que significa dar à luz os filhos da pregação.
Nos finais de 1550 ou no início de 1551, é convidado a atravessar a fronteira estremenha e vai para Évora, a pedido do cardeal D. Henrique, com o qual manterá um ligação durante mais de 30 anos. Em Évora, entra em contacto com a Companhia de Jesus, então nascente. Escrevendo a Inácio de Loyola, em 1551, o jesuíta Melchior Carneiro refere-o como “homem de muito espírito” e favorecedor da Companhia. Por outro lado, vários dominicanos espanhóis têm responsabilidades na Província Portuguesa Dominicana, como por exemplo o seu provincial, Fr. Juan de Padilla. Fr. Luís de Granada torna-se apóstolo desses largos territórios que formam o Alentejo. Em 1554, publica em Salamanca a primeira versão d’ O livro da oração, uma obra de grande sucesso. Aqui revela a sua preocupação em escrever bem e falar bem, duas constantes na sua vida de escritor e de pregador. Este livro será o maior acontecimento editorial daquele século em Espanha. Nele surgem as suas principais preocupações: o seu desejo de servir a Igreja, a sua rica espiritualidade, a sua personalidade e o seu estilo literário. Nesse período fecundo de escrita, Fr. Luís é eleito provincial, no Convento da Batalha, da Província Portuguesa Dominicana, eleição confirmada a 14 de abril de 1556, pelo mestre da Ordem. A 22 de abril é transfiliado (ou seja, transferido canonicamente) da sua Província de Andaluzia para a Província de Portugal. Como provincial, promove os meios tradicionais da vida dominicana: pobreza, estudo, oração e pregação. Tem particular cuidado com a formação dos noviços portugueses, entusiasmando-os com o ideal dominicano e formando-os para o apostolado futuro. Leva a cabo a renovação do convento de Pedrógão Grande e funda o convento de Montemor-o-Novo. Uma outra grande decisão, durante o seu mandato como provincial, passa pela exigência, junto de Fr. Bartolomeu dos Mártires, de aceitar o cargo de arcebispo de Braga. Este lecionava na altura no Convento da Batalha. No dia 8 de agosto de 1558, no Convento de São Domingos de Lisboa, Fr. Luís, perante a comunidade dos frades, faz preceito de obediência a Fr. Bartolomeu para aceitar esse ministério episcopal de suma importância. A rainha D. Catarina de Bragança vinha insistindo com Fr. Luís para que aceitasse este cargo. Contudo, declina o convite e apresenta Fr. Bartolomeu. Este será ordenado bispo na própria igreja do Convento de São Domingos de Lisboa a 4 de outubro de 1559.
Em 1557, já Fr. Luís tinha publicado outras obras, como o Manual de diversas oraciones y espirituales ejercicios. Nesse mesmo ano publica uma Suma Cayetana, ou suma de casos de consciência, para ajudar os sacerdotes no ministério de confissão. Em 1558, publica Treinta y dos sermones, obra constituída sobretudo de traduções. Em 1559, publica o Compendio de doutrina cristã, em português, em Lisboa. Acompanham esta obra Treze sermões, igualmente em português. Estas duas obras constituem a totalidade da parte portuguesa da sua obra, tendo as restantes sido publicadas em castelhano ou em latim. Nesse mesmo ano publica o Tratado da oração, obra cuja autoria gerou polémica, tendo sido presumidamente atribuída S. Pedro de Alcântara.
Em 1559 rebenta um grave conflito no seio da Inquisição espanhola, no qual Fr. Luís de Granada se vê envolvido. Nessa altura, o inquisidor-geral de Espanha é Fernando de Valdès, cujo quartel-geral se encontra em Valladolid. Um dos companheiros de estudo de Fr. Luís, nessa cidade, tinha sido Fr. Bartolomeu Carranza, eleito arcebispo de Toledo. Fr. Melchior Cano, outro dominicano, acérrimo inimigo do arcebispo, censura o Libro de la oracion. Fr. Luís de Granada sente-se na obrigação de viajar até Valladolid para defender os seus livros junto do inquisidor-geral de Espanha e assim livrá-los de entrarem no Catálogo de libros prohibidos. A censura de Melchior Cano diz respeito tanto a Fr. Carranza de Miranda como a Fr. Luís, pelo facto de ambos tratarem da temática da oração e de abrirem um caminho acessível para “fazer contemplativos e perfeitos a todos e ensinar ao povo em castelhano o que a poucos convém”. A outra acusação contra Fr. Luís é a de “ter prometido um caminho de perfeição comum e geral a todos os estados, sem votos de castidade, pobreza e obediência”. E, por fim, Fr. Melchior Cano afirma que nos escritos de Luís de Granada existiriam alguns “graves erros que têm um certo sabor da heresia dos alumbrados”. Nesse mesmo ano, a 22 de agosto, Carranza de Miranda será preso nos cárceres inquisitoriais, onde permanece até à morte. São proibidas então as seguintes obras de Fr. Luís, inseridas no famoso Catálogo: O livro da oração e meditação e de devoção, A guia de pecadores, O manual de diversas orações e exercícios espirituais. Estamos perante um drama de linguagem que vai assombrar o panorama eclesial da Espanha e, por ricochete, também Portugal e outros países.
Fr. Luís, regressado a Portugal, vai retomar os seus livros, modificar algumas expressões e polir aquilo que pudesse dar azo a más interpretações. Em 1559 publica aquela que será, na história das suas obras, a parte exclusivamente portuguesa: o Compendio de Doctrina Christã e Treze sermões, duas obras publicadas separadamente, em Lisboa, na imprensa de Johannes Blavio. Em junho de 1560 é celebrado o capítulo provincial em Évora, em que termina o seu mandato como provincial. Será Fr. Jerónimo de Azambuja a suceder-lhe como prior provincial. Esperam-no alguns largos anos de tranquilidade, após os dissabores espanhóis. Vai para o Convento de São Domingos de Lisboa, onde é o confessor da rainha. Logo em 1561 publica novas obras em Lisboa: Memorial de lo que debe hacer el cristiano, Tratado de algunas muy devotas oraciones e Vita Christi. Estas publicações vão-se esgotar rapidamente, tal é o seu êxito. Logo no ano seguinte, em 1562, publica a sua tradução de Escada mística, uma obra-mestra da Filocalia, redigida por S. João Clímaco. O mestre-geral da Ordem propõe Fr. Luís como mestre em Teologia, o que equivale a um reconhecimento da ortodoxia do seu pensamento teológico. Em 1564, o Capítulo Geral da Ordem Dominicana de Bolonha confirma esse reconhecimento de Fr. Luís. Mas o maior reconhecimento chegará por via do próprio Concílio de Trento, pela intervenção do próprio Papa Pio IV. Luís edita nesses anos o Stimulus pastorum do seu confrade arcebispo Fr. Bartolomeu dos Mártires, essa que é considerada a mais importante explanação sobre o perfil do bispo ideal. Publica ainda, em 1561, o Memorial de la vida cristiana, com dedicatória feita à infanta portuguesa D. Maria. Na sequência dessa publicação e após várias modificações, sai a nova versão do Libro de la oracíon, impresso em Salamanca em 1566. Logo no ano seguinte, Fr. Luís publica a versão definitiva da Guia de pecadores. Esta obra é muito mais modificada e rejuvenescida do que a obra anterior.
Todo este grande labor esgota Fr. Luís, que vai para o convento de Setúbal, fundação que tinha sido decidida durante o seu mandato como provincial, cujo padroeiro será S. Sebastião, para honrar o rei português homónimo, e tendo sido financiado pelo cardeal D. Henrique. Esse tempo será marcado sobretudo pelo seu ministério como confessor. Fr. Luís intervém nesses anos junto da corte para apaziguar tensões na família real, tensões essas que se irão adensar com a morte de D. Sebastião. Fr. Luís prega com frequência em ambientes diversos, sendo o pregador das grandes ocasiões. Em 1571, publica uma espécie de enciclopédia ou Colectanea, um texto com mais de mil páginas, distribuído em três volumes, com sentenças várias, para ajudar os pregadores. Em seguida, começa a publicar um Sermonario, cujos primeiros volumes serão publicados em Lisboa, em 1575 e 1576. O quarto volume já será publicado em 1580, em Salamanca. Nessa mesma cidade publica os Conciones de santis, ou sermões sobre os santos, em dois volumes, em 1578. Antes disso, em 1574, publicou as Homilias do cardeal D. Henrique. O próprio cardeal enviará a S. Carlos Borromeu uma cópia destas. Ainda nesse ano publica o Tratado da oração e as Adiciones al Memorial, na casa de impressores Matias Gast de Salamanca. A dedicatória é feita à Irmã Ana de la Cruz de Montilla, em Andaluzia, lembrando os anos na companhia de S. João de Ávila. Em 1575, S.ta Teresa de Ávila escreve a Fr. Luís, agradecendo-lhe por “ter escrito tão santa e proveitosa doutrina”. Sempre com a preocupação dos pregadores do seu tempo, publica em 1576 a Retórica eclesiástica, em Lisboa, propondo através desse volume meios concretos para ajudar na formação de bons pregadores. É um livro admirável de estética, que terá uma grande influência europeia, particularmente junto dos oradores franceses do séc. xvii. Apresenta modelos antigos e modernos de pregadores, figurando o seu amigo S. João de Ávila entre os modernos.
Em 1578, Fr. Luís prega em circunstâncias dolorosas, em Évora, por ocasião do falecimento da rainha D. Catarina, irmã de Carlos V, esposa do rei D. João III e cunhada do cardeal D. Henrique, avó do rei D. Sebastião. Esta falece a 12 de fevereiro. Fr. Luís tinha-lhe dedicado o segundo volume da Guia de pecadores. O cardeal D. Henrique pediu-lhe uma cópia do sermão, que enviará a Filipe II de Espanha. Este texto, no entanto, encontra-se desaparecido até à contemporaneidade. Na sequência do desastre de Alcácer Quibir, o seu velho amigo, o cardeal D. Henrique, é aclamado rei de Portugal, a 28 de agosto de 1578. O monarca toma de imediato a iniciativa de celebrar as exéquias solenes pelo rei D. Sebastião no Mosteiro dos Jerónimos, a 20 de setembro de 1578. Em 1579, o dominicano publica uma nova versão do Libro de la oracion, que sai em Salamanca. Ao tempo do breve reinado do cardeal D. Henrique (1578-1579), a dedicatória deste livro é feita a Filipe II de Espanha. O frade granadense encontra-se em Almeirim na véspera do falecimento do cardeal e rei português. O grande pregador e escritor dominicano pressente que Filipe II será rei de Portugal, e o monarca espanhol, por seu lado, tira partido do prestígio de Fr. Luís para convencer os portugueses a aceitá-lo como rei. Vão-se suceder tempos de tensão também para os Dominicanos, por ocasião da sucessão real. Quando Filipe II vem a Lisboa, pede a Fr. Luís, em 4 de março de 1582, para pregar na sua capela privada. O rei espanhol gosta de o ouvir, porque não adormece quando ele prega, como lhe ocorre com outros pregadores! E o fervoroso dominicano quase octogenário e praticamente sem dentes! Ainda nesse ano, chega a Fr. Luís de Granada uma carta do Papa Gregório XIII, ao que tudo indica, a instâncias de S. Carlos Borromeu. Nesta carta datada de 21 de julho, em Roma, o Papa saúda calorosamente o dominicano, dizendo: “Sempre nos foi gratíssima o teu extenso e continuado labor em apartar os homens dos vícios e trazê-los à perfeição cristã, trabalho que tem sido de muito fruto e júbilo para aqueles têm o desejo da sua própria salvação e a do próximo”. Nesse ano, toma a iniciativa de publicar em Lisboa o Compêndio de vida espiritual, do seu confrade Bartolomeu dos Mártires. Ainda em 1582, termina dois livros de grande amplitude, o Silva locorum communium (ou Lugares comuns), publicado nesse ano, e vai ser também impressa outra obra de grande fôlego, A introdução ao símbolo da fé, na qual faz uma apresentação da fé e integra uma componente mais dirigida às populações judias de ambos os países, agora sob uma só Coroa. A sua autorização é dada em Madrid, sendo o livro impresso em Salamanca. De imediato, preocupa-se em enviar exemplares a S. Carlos Borromeu, em Milão. Supõe-se que terá levado entre três a quatro anos na elaboração d’ A introdução ao símbolo da fé, uma joia literária e espiritual, dedicada ao cardeal Alberto da Áustria. Nesses mesmos anos publica um manual de Doutrina espiritual e um volume com Biografias de santos ou figuras conhecidas do seu tempo. Algumas dessas biografias, de que se destacam as do cardeal D. Henrique, D. Fr. Bartolomeu dos Mártires e S. João de Ávila, para além dum grupo de mulheres, serão publicadas mais tarde ou postumamente. Já em 1588, ano da sua morte, reunirá textos de S. João de Ávila, falecido em 1569.
A quantidade de publicações e de edições de Fr. Luís de Granada durante a sua vida é assombrosa. Por esse motivo, é considerado o espanhol mais traduzido no mundo, visto que foram localizadas mais de 4000 edições dos seus livros, em diversas línguas. Lembremos que ainda em vida foi traduzido e publicado no Japão. A famosa embaixada de quatro jovens japoneses, designada de Tensho shonen shisetsu, enviada por iniciativa do jesuíta Alexandre Valignano, irá passar por Portugal, Espanha e Itália, nos anos de 1582 a 1590. O principal chefe dessa missão, Ito Sukemasu Mancio, irá encontrar-se em Lisboa, em 1584, com Fr. Luís de Granada, tão grande era o seu prestígio. Esses quatro jovens formam a primeira embaixada japonesa na Europa, começando o seu percurso por Lisboa.
De 1994 a 2006, por iniciativa da Província dos Dominicanos Espanhóis da Bética, foi publicada uma edição completa da obra de Fr. Luís de Granada, com 51 volumes. Um precioso volume de Índices foi publicado em 2008. Este enorme labor foi coordenado por Fr. Álvaro Huerga, falecido em 2018, e, sem dúvida, o seu maior especialista. Fr. Luís de Granada empenhou-se fervorosamente na formação dos cristãos, leigos e religiosos, e foi um precursor de muitas intuições desenvolvidas pelo Concílio Vaticano II. A extrema complexidade da sua obra exige uma leitura demorada para compreender a coerência, profundidade e modernidade dos seus escritos. O seu pensamento penetrou profundamente a cultura humanista e espiritual da Europa, da América Latina e de certas partes da Ásia, como já foi referido. O seu processo de beatificação foi iniciado e, em 2001, a Positio foi entregue em Roma. O falecimento sucessivo de dois postuladores espanhóis tem atrasado o avanço da sua causa. Em Portugal está ainda por fazer um estudo aprofundado e global da obra de Luís de Granada, tendo já obtido, neste país, alguns estudos parciais. De facto, a sua importância entre os portugueses é tal, entre letras, espiritualidade, mística e os dissabores do reino, que faz todo o sentido revisitar a sua época.
Obras de Luís de Granada: Libro de la oración y meditación, en el qual se trata de la consideracion de los principales mysterios de nuestra fe (1555); Compendio de doctrina christãa recopilado de diuersos autores que desta materia escreuerão, pelo R.P.F. Luys de Granada… Acrecentarãose ao cabo treze sermões das principaes festas do anno pelo mesmo autor (1559); Vita christi en el qual se contienen los principales passos y misterios de la vida de Christo (1561); Libro de Sant Iuan Climaco, llamado “Escala Spiritual”: En el qual se descriven treynta escalones (1562); Guia de peccadores, en la qual se trata copiosamente de las grandes riquezas y hermosura de la virtud, y del camino que se ha de lleuar para alcançarla (1567); Memorial de lo que deue hazer un christiano con algunas oraciones muy deuotas para pedir el amor de Dios y para otros propositos (1567); Memorial de la vida christiana: En el qual se enseña todo lo que vn christiano deue hazer dende el principio de su conuersion, hasta el fin de la perfection: repartido en siete tratados (1573); Concionum quae de praecipuis sanctorum festis in Ecclesia habentur, a festo Sancti Andreae, vsque ad festum b. Mariae Magdalenae (1581); Introduction del symbolo de la fe, en el qual se trata de las excelencias de la fe (1588).
Bibliog.: ALONSO DEL CAMPO, Urbano, Vida y obra de Fray Luis de Granada, Salamanca, San Esteban, 2005; FR. LUÍS DE GRANADA, Obras completas de Fray Luis de Granada, 51 vols., Madrid, Ed. Fundacíon Universitaria Española y Provincia Bética de la Orden de Predicadores, 1994-2006; Id., Tratado da oração, do jejum e da esmola, Paulinas, Prior Velho, 2006; Id., Obras completas – Índices, t. lii, Madrid, Dominicos de Andalucia, 2008; Id., Frei Bartolomeu dos Mártires, Paulinas, Prior Velho, 2020; HUERGA, Fr. Alvaro, “Louis de Grenade”, in VILLER, M. et al., Dictionnaire de spiritualité, ascétique et mystique, t. ix, Paris, Beauchesne, 1976, cols. 1043-1054; HUERGA TERUELO, Alvaro, Fray Luis de Granada. Una vida al servicio de la Iglesia, Madrid, BAC, 1988; JERECZEK, Bruno, Louis de Grenade. Disciple de Jean d’Avila, Fontenay-le-Comte, Editions Lussaud, 1971; LLANEZA, Maximino, Bibliografia del V.P. M. Fr. Luís de Granada, 4 vols., Salamanca, Establecimiento Tipográfico de Calatrava, 1926-1928; MONTEIRO, José Luís de Almeida, “Luís de Granada e São João de Ávila”, in Revista Portuguesa de História do Livro, Lisboa, Edições Távola Redonda, 2006, pp. 19-40; RODRIGUES, Maria Idalina Resina, Fray Luis de Granada y la literatura de espiritualidad en Portugal, Madrid, Fundación Universitaria Española, 1988.
José Luís de Almeida Monteiro