Tendo professores particulares de literatura, música, francês e inglês, a mexicana Enriqueta Ochoa (1928-2008) começou a escrever aos nove anos. Nascida numa família sem religião, decide na adolescência tornar-se católica, embora afirmasse com frequência estar próxima do pensamento esotérico. Além do seu México natal, viveu em Espanha, França e Marrocos. Com Gloria González e José Herrera Madrigal, fundou a revista literária Hierba, ativa em 1952 e 1953. Foi professora em várias instituições, entre elas a Universidad Nacional Autónoma de México, a Universidad Autónoma del Estado de Morelos e a Sociedad General de Escritores de México. Foi amiga de vários escritores e poetas hispano-americanos e espanhóis, como Dámaso Alonso, Dolores Castro, Gabriela Mistral e Rosario Castellanos. Publica a sua primeira obra aos 19 anos, Las Urgencias de un Dios (1947), banida pela hierarquia da Igreja por ser considerada escandalosa. Na sua bibliografia, destaca-se ainda El Retorno de Electra (1978), Bajo el Oro de los Pequeños Trigos (1984) e Asaltos a la Memoria (2004).
A poesia de Enriqueta Ochoa apresenta uma rara profundidade metafísica, fortemente marcada pelas obras de S.ta Teresa de Ávila e de S. Juan de la Cruz, carmelitas da escola espanhola. Conjuga nos seus textos misticismo, religiosidade, sonho, autobiografia, sofrimento, morte, solidão, corpo e um forte erotismo feminino. Assume uma relação com o divino distante da teologia religiosa e aborda temas celestes e humanos, numa procura constante de Deus conjugado com a assunção dos sentidos e a ligação à natureza. Deus está na intimidade do ser humano e deve ser reencontrado continuamente. Outra característica da sua obra é a recriação de temas bíblicos, em particular do Génesis.
Obras de Enriqueta Ochoa: Las Urgencias de un Dios (1947); El Retorno de Electra (1978); Testimonio (1978); Bajo el Oro de los Pequeños Trigos (1984); Asaltos a la Memoria (2004).
Bibliog.: HERNÁNDEZ PALACIOS, Esther, “Nota introductoria”, in Enriqueta Ochoa, México, Universidad Nacional Autónoma de México, 2013; MANZANO AÑORVE, María de los Ángeles, “La epifanía de la palabra en Enriqueta Ochoa. Una teología personal”, Revista Iberoamericana de las Ciencias Sociales y Humanísticas, vol. 4, n.º 8, 2015; Id., “La poética de Enriqueta Ochoa”, Revista de Literatura Mexicana Contemporánea, n.º 49, 2011; OCA NAVAS, Elvira Montes de, “Enriqueta Ochoa, un viaje entre el amor humano y el amor divino”, La Colmena, n.º 57, 2008; PAREDES CRESPO, Omar Armando, “Una reconciliación mística y mitológica. La imagen poética en ‘Retorno de Electra’, de Enriqueta Ochoa”, Sincronía, n.º 77, 2020; VERGARA, Gloria, “Alcanzar la luz. Configuración de una poética del fuego en la obra de Enriqueta Ochoa”, Espéculo: Revista de Estudios Literarios, n.º 43, 2009-2010; VERGARA, Gloria, Identidad y Memoria en las Poetas Mexicanas del Siglo XX, México, Universidad Iberoamericana, 2007.
Isabel Araújo Branco