A beata Guadalupe Ortiz de Landázuri nasceu em Madrid, Espanha, a 12 de dezembro de 1916. Depois de uma infância passada em Marrocos com a família – o seu pai era militar e foi fuzilado em 1936, durante a Guerra Civil de Espanha –, em 1940 licenciou-se em Química pela Universidade de Madrid. Foi uma das primeiras mulheres do Opus Dei, instituição para a qual entrou em 1944. Em 1947, lançou e dirigiu a primeira residência universitária do Opus Dei para raparigas, e em 1950 partiu para o México, para dar início ao trabalho do Opus Dei neste país. Durante nove anos, promoveu um labor ingente com jovens universitárias, ao mesmo tempo que fundava uma instituição de formação para mulheres indígenas, com o fito de lhes conferir graus que lhes permitissem aceder à vida profissional. Depois de uma breve passagem por Roma, regressa a Madrid em 1957, por razões de saúde, e dá início a uma carreira profissional de docente do ensino secundário, promovendo diversas iniciativas neste âmbito; ao mesmo tempo, faz o doutoramento, que conclui em 1965.
Guadalupe viveu intensamente a busca da santidade no meio do mundo, através do trabalho profissional e da vida familiar e social, como proposto pelo Opus Dei. Tinha uma vida espiritual intensa, marcada pela missa diária, por vários momentos de oração espalhados ao longo do dia e pelo esforço por manter uma constante presença de Deus.
Era uma mulher fortemente apaixonada pela sua profissão, que entendia como uma verdadeira vocação, e que retomou assim que lhe foi possível, insistindo em fazer o doutoramento mesmo sem quaisquer perspetivas de seguir a carreira académica; ainda na véspera da sua morte se dedicou a fazer uma experiência caseira na casa de banho do hospital onde estava internada. Era também uma mulher aventureira e empreendedora, o que lhe permitiu aceitar o encargo de começar o trabalho da Obra no México, país que nunca tinha visitado; foi também graças a esta disponibilidade e capacidade de adaptação que pôde largar o trabalho na química e retomá-lo anos depois sem solução de continuidade.
Vivia a sua espiritualidade com grande alegria – como testemunham as muitas ocorrências da expressão “estou muito contente” nas suas cartas –, tendo aprendido desde muito cedo a conviver com os seus fracassos e defeitos; entre estes contava-se uma certa tendência cerebral, que lhe reduzia a capacidade de acolhimento dos outros, e que procurou combater. Contribuía para esta alegria a disposição para perdoar, expressa nomeadamente na facilidade com que se relacionou, no México, com exilados espanhóis da Guerra Civil de Espanha. Forte e decidida, não permitiu que os sintomas da doença – falta de ar, extremo cansaço, astenia – lhe fizessem diminuir o ritmo de trabalho e de formação das mulheres confiadas aos seus cuidados.
Guadalupe morreu em Pamplona, a 16 de julho de 1975, na sequência de uma delicada operação ao coração da qual não conseguiu recuperar. Foi beatificada em Madrid, a 18 de maio de 2019, e os seus restos mortais repousam no Oratorio de Caballero de Gracia, na mesma cidade.
Bibliog.: RINCÓN, María Del e ESCOBAR, María Teresa, Letras a un Santo: Cartas de Guadalupe Ortiz de Landázuri a san Josemaría Escribá, 2018: https://multimedia.opusdei.org/pdf/es/letras-a-un-santo.pdf (consultado a 15.12.20).
Maria José Figueiredo