A Sociedade Religiosa de Amigos, popularmente conhecida como Quakers, é um movimento cristão protestante que teve o seu início em Inglaterra no séc. xvii, sendo os seus membros informalmente chamados de quakers (“tremedores”), dado que, como sobre eles se escreveu, “tremem no caminho do Senhor” (CAMPOS, 2002, 12). O movimento foi fundado em Inglaterra por George Fox (1624-1691) e, nos seus primeiros tempos, enfrentou forte oposição e grande perseguição, uma vez que naquele período o país passava por um período de intensa crise moral e espiritual.
No início do séc. xvii, o mundo atravessava um avassalador período de transformações sociais e morais, e é nesse contexto que surgem movimentos de renovação eclesiástica, que procuravam com a sua prática promover o fortalecimento da espiritualidade cristã. Surge assim o Quakerismo, que se expandiu de modo contínuo pelas ilhas britânicas e, depois, pelas Américas e África. Pela ênfase da sua mensagem, os Quakers foram bastante perseguidos em Inglaterra, pelo que muitos dos seus membros emigraram para os Estados Unidos, espalhando-se intensamente e dando aí início a uma colónia quaker, na Pensilvânia, onde o grupo cresceu muito, sendo responsável por intensos movimentos de oração e de reavivamento espiritual.
Considerado um movimento de fronteira, o Quakerismo tinha como base a simplicidade e a busca pela presença do Espírito Santo, o que fez com que, nos Estados Unidos, o movimento assistisse a um grande crescimento numérico, que serviu como elemento norteador para o evangelismo de massa em vários estados americanos, assim como para o Movimento de Santidade, em que se enfatizava a santidade e a separação do mundo. De acordo com Isael de Araújo, “No ano de 1656, já se notava a presença dos Quacres (“Tremedores”) em Massachusetts. Eles também eram conhecidos como Sociedade Religiosa de Amigos. Esse movimento nasceu na Inglaterra, em 1646, como um dos mais sinceros e de princípios mais puros da história” (ARAÚJO, 2014, 586). Dentro do seu estilo de culto, os Quakers procuravam a iluminação proveniente do Espírito Santo, crendo na possibilidade de uma comunicação direta com Deus (GAARDER, 2005). Ainda de acordo com Isael de Araújo (2014, 586), “Criam que o Espírito divino falava diretamente à mente humana. Antigas literaturas do Quacres registaram visões, curas e profecias, que eles comparavam com o Dia de Pentecostes”.
As crenças do Quakerismo baseiam-se na simplicidade do evangelho e na procura constante pela santificação, uma vez que as suas doutrinas se orientam quase que exclusivamente para a piedade, o temor a Deus, as experiências místicas e o amor ao próximo. O líder e fundador, George Fox, ensinava que a Igreja deveria ser guiada unicamente pelo Espírito Santo e que não deveria possuir qualquer sistema de governo, pelo que o grupo se afastou da Igreja organizada e da crença na Bíblia como revelação única de Deus. De acordo com Marta Suana (2009, 133), “Para esse grupo, a Bíblia era regra acessória, e as revelações de qualquer membro do movimento tinha tanto valor quanto as escrituras”.
Bibliog.: ARAÚJO, I., Dicionário do Movimento Pentecostal, Rio de Janeiro: Edições CPAD, 2014; BRUNELLI, W., Teologia para Pentecostais: Uma Teologia Sistemática Expandida, Rio de Janeiro, Editora Central Gospel, 2016; CAMPOS, B., Da Reforma Protestante à Pentecostalidade da Igreja: Debate sobre o Pentecostalismo na América Latina, São Leopoldo/Quito, Sinodal/CLAI, 2002; GAARDER, J., O Livro das Religiões, São Paulo, Companhia das Letras, 2000; JÚNIOR, P. G. S., “Fluxos e fronteiras: mapeando o pentecostalismo brasileiro em Portugal”, Civitas, n.º 14, 3, set.-dez., 2014, pp. 484-506; MARTINS, O. E. C., Da Objeção ao Reconhecimento: Conflito e Superação na Constituição da Educação Teológica na Constituição da Educação Teológica Formal nas Assembleias de Deus, Dissertação de Mestrado em Teologia apresentada à Faculdades EST, São Leopoldo, texto policopiado, 2017; SHELLEY, B. L., História do Cristianismo: Uma Obra Completa e Atual sobre a Trajetória da Igreja Cristã desde as Origens até o Século XXI, Rio de Janeiro, Thomas Nelson Brasil, 2018; SUANA, M., História da Igreja: A Trajetória do Cristianismo desde Sua Fundação até Nossos Dias, Pindamonhangaba, IBAD, 2006.
Orlando Martins