Exposição solene do Santíssimo Sacramento em memória das quarenta horas que Jesus passou no sepulcro. Não se sabendo exatamente a sua origem, teve possivelmente início em Milão, em 1527, por iniciativa do P.e Gian António Bellot, espalhando-se rapidamente por toda a Itália e por todo o mundo, levada pelos Barnabitas, Capuchinhos e Jesuítas.
Por volta de 1550, S. Filipe Neri introduziu em Roma esta prática devocional, sendo rapidamente acolhida e recomendada pelos papas, nomeadamente Clemente VIII, que, pela constituição Graves et Diuturnae, de 25 de novembro de 1592, especificava as diferentes igrejas de Roma onde deveria ter lugar. Posteriormente, esta devoção ganha a forma de reparação e surge, igualmente, como preparação das festas, como o Corpus Christi ou o Pentecostes.
Em 1736, o Papa Clemente XII publicou um conjunto de instruções muito minucioso para a correta realização desta devoção, conhecida como Instructio Clementina. Em Portugal, a devoção chega a Lisboa em 1608, provavelmente pela mão dos Carmelitas Descalços, em quase simultaneidade com os Jesuítas. Após o terramoto de 1755, encontrou uma larga difusão no país.
Bibliog.: impressa : CANALS, Juan María, “Orar en la presencia sacramental y permanente de Cristo”, in BROUARD, Maurice (dir.), Enciclopedia de la Eucaristía, Bilbao, Desclée de Brouwer, 2004, pp. 837-848; FALCÃO, Manuel Franco, “Quarenta Horas”, in FALCÃO, Manuel Franco, Enciclopédia Católica popular, Lisboa, Paulinas, 2004, p. 417; digital: AZEVEDO, Carlos Moreira, “As Quarenta Horas”, Ecclesia, 3 abr. 2006: https://agencia.ecclesia.pt/portal/as-quarenta-horas/ (acedido a 13.07-22).
Daniel Batalha Henriques