A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Robin, Marthe

Nascida em 1902 na aldeia Châteauneuf-de-Galaure (França), Marthe Robin jamais abandonou a quinta que a viu crescer. Com apenas 16 anos, uma doença obrigou-a a ficar acamada por mais de 50 anos. Durante todo esse tempo desenvolveu uma vida mística de grande intensidade, e inclusivamente diz-se que deixou de comer e de dormir. Em 1925, a Virgem e S.ta Teresa de Lisieux apareceram diante dela e revelaram-lhe a sua missão. Robin compreendeu que o Senhor a tinha elegido para se converter numa vítima expiatória e, em outubro de 1930, apareceram pela primeira vez chagas no seu corpo. Desde então, reviveu a Paixão todas as semanas, entre quinta e sexta-feira. Embora com o passar dos anos as chagas tenham deixado de ser visíveis e parassem de sangrar (com exceção da coroa de espinhos e algumas lágrimas de sangue), Robin continuou a sentir as dores de Jesus Cristo crucificado até ao fim dos seus dias.

A sua fama de estigmatizada atraiu mais de 100.000 pessoas, especialmente de França, mas também de outras partes do mundo, à sua aldeia, para testemunhar o fenómeno. Muitos eram crentes que chegavam até Robin em busca do seu conselho espiritual e que abandonaram Châteauneuf-de-Galaure como devotos da santa viva. Às vezes, Robin recebia 50 pessoas num mesmo dia. Gostava de escutar os seus pesares e reconfortá-las com a sua piedade. Outros visitantes eram apenas curiosos ou céticos que pretendiam pôr a nu o que pensavam ser uma fraude. Ainda hoje os argumentos sobre a simulação dos fenómenos místicos, e a suposta histeria e anorexia de Marthe Robin, continuam a afetar a sua reputação de santidade. Contudo, as obras escritas sobre os alegados transtornos psíquicos e fisiológicos de Robin não conseguiram pôr fim à devoção popular.

Em 1934, Robin fundou uma escola na sua aldeia e recebeu a missão divina de criar uma comunidade apostólica onde leigos e religiosos conviveriam juntos e passariam alguns dias em retiro e oração sob o mesmo teto. Robin chamou essas comunidades de “Foyers de Charité”. O seu guia espiritual, o Padre Finet, ajudou-a na sua missão e, em 1936, abriu a sua primeira casa de retiro ou foyer em Châteauneuf-de-Galaure. Em 2021, os Foyers de Charité contavam com mais de 70 casas de retiro em todo o mundo. A espiritualidade promovida por Robin antecipou-se aos esforços realizados após o Concílio Vaticano II (1962) para reconhecer a obra apostólica e a aspiração à santidade dos leigos. Em 1986, os Foyers de Charité foram declarados uma “Associação de fiéis” pela Igreja Católica.

No fim da sua vida, as dores de Robin aumentaram de tal modo, que quase não podia falar e teve de deixar de receber visitas. Depois da sua morte em 1981, os seus familiares e o Padre Finet observaram manchas de sangue na almofada e no lençol sobre os seus pés, mas os estigmas não eram visíveis na sua pele. A notícia da sua morte foi anunciada pelos meios de comunicação e um número grande de devotos assistiu ao seu funeral. Desde então, a fama de santidade de Robin não parou de crescer e milhares de peregrinos visitam a sua casa todos os anos, onde se conservou intacto o quarto da santa. O processo de beatificação, composto por um dossiê de mais de 17.000 páginas, teve início em 1986 e, em novembro de 2014, Marthe Robin foi declarada “Venerável” pelo Papa Francisco.

 

Bibliog.: DONNEADU, Henry, “Marthe Robin, Au carrefour des communautés nouvelles”, in GALINIER-PALLEROLA, Jean-François et al. (dir.), Les Laïcs Prennent la Parole, Paris, Parole et Silence, 2014, pp. 339-360; DE MEESTER, Conrad, La Fraude Mystique de Marthe Robin, Paris, Cerf, 2020; GUITTON, Jean, Portrait de Marthe Robin, Paris, Grasset, 1985; MOTTET, Gonzague, Marthe Robin, La stigmatisée de la Drôme, Toulouse, Érès, 1989; PEYRET, Raymond, Marthe Robin: La croix et la Joie, Valence, Société d’édition peuple libre, 1981.

 

Andrea Graus

Autor

Scroll to Top