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Sinal da cruz

O sinal da cruz é o símbolo dos cristãos e resume dois aspetos fundamentais da fé cristã: toda a obra da redenção realizada por Cristo na sua Paixão e morte e a invocação da Santíssima Trindade. Deste modo, manifesta a marca de Cristo naqueles que lhe pertencem e significa a graça da redenção. Neste sentido, enquanto prática devocional e litúrgica, é o sinal mais relevante e transversal aos diversos ritos e devoções. Ao mesmo tempo, é um sinal que marcou a cultura e as práticas profanas, podendo ver-se diversas vezes a realização do sinal da cruz nas mais diversas ocasiões, como, e.g., no início dos jogos de futebol ou na confeção do pão.

A utilização do sinal da cruz como prática devocional e litúrgica é testemunhada pelo menos desde o séc. iii, por Tertuliano. O sinal da cruz como é hoje realizado (da testa ao peito e de um ombro ao outro) surge por volta do séc. v e generaliza-se cerca do séc. x, sendo que nos sécs. vi e vii existia já o costume de benzer com o sinal da cruz. No início do cristianismo, denota-se alguma dificuldade em realizar representações da cruz (a mais antiga representação surge numa circunstância de escárnio em relação aos cristãos), mas a partir da paz constantiniana a representação da cruz generaliza-se. Pelo Império Romano, é de assinalar como de forma mais ou menos rápida o sinal da cruz substitui os símbolos pagãos. Com efeito, este sinal ganhou tanta importância que o encontramos quer enquanto gesto litúrgico e devocional, quer como obra de arte nas mais diversas expressões: desde a cruz peitoral à cruz monumental que se coloca em lugares marcantes para os transeuntes, passando pela cruz de altar, a cruz processional, entre muitas outras expressões. As diversas concretizações do símbolo mais importante para os cristãos demonstram a sua relevância e centralidade.

A respeito da importância do sinal da cruz na vida do cristão, diz o Catecismo da Igreja Católica: “O cristão começa o seu dia, as suas orações, as suas atividades, pelo sinal da cruz ‘em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amen’. O batizado consagra o dia à glória de Deus e apela para a graça do Salvador, que lhe permite agir no Espírito, como filho do Pai. O sinal da cruz fortalece-nos nas tentações e nas dificuldades” (n.º 2157). Além desta presença quotidiana do sinal da cruz na vida dos cristãos, encontramos como a grande expressão da centralidade do sinal da cruz a adoração em Sexta-Feira Santa.

O sinal da cruz tem como função a união do cristão a Cristo e simboliza a imolação espiritual da vida dos crentes. É também símbolo ascético e de penitência, ao mesmo tempo que intensifica a união aos sofrimentos de Cristo, que nos alcançaram a redenção, sendo por isso sinal da fonte e raiz da verdadeira alegria. A sua realização deve mostrar que aquilo que se vai dizer ou fazer está sujeito a Cristo e à sua palavra, tornando-se o equivalente gestual da fórmula “Por Cristo, Nosso Senhor”.

 

Bibliog.: BREHIER, L., Les Origines du Crucifix dans l’Art Religieux, Paris, 4, rue Madame, 1903; GASSÓ, J. M.,  “Cruz”, in Gran Enciclopedia Rialp, t. vi, Madrid, Ediciones Rialp, 1972, pp. 775-777; LENVAL, H. L., La Liturgia del Gesto, Barcelona, Centre de Pastoral Litúrgica, 2006; RÉGAMEY, P., La Cruz del Cristiano, Madrid, Ediciones Rialp, 1961; THOBY, P., Le Crucifix. Des Origines au Concile de Trente: Étude Iconographique, Nantes, Bellanger, 1959.

 

Daniel Batalha Henriques

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