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Stagel, Elisabeth

Nasce (Elsbeth ou Elisabeth) em 1300 e entra no mosteiro das dominicanas de Töss na Suíça, do qual será prioresa. Morre por volta de 1366. A sua vida espiritual foi fortemente marcada pela sua relação com Henri Suso, com quem se corresponde longamente e que é o seu modelo espiritual. Ela reúne as confidências feitas por Suso, sobre a maneira de viver com Cristo, e, em particular, as suas austeridades e macerações, material recolhido, parece, sem o assentimento de Suso, mas que ele reutilizará para escrever a sua Vida. Elisabeth tem aí um papel de memória, que irá irrigar toda a rede dos Amigos de Deus.

Elisabeth era também uma leitora e, talvez, uma ouvinte de Mestre Eckhart, tendo transcrito alguns dos seus sermões. Esta proximidade com os grandes mestres da escola espiritual renana fez de Elisabeth Stagel uma personagem central do misticismo do séc. xiv.

Elisabeth Stagel é autora de vários textos que formam La Chronique do Convento de Töss, que reúne as biografias de 39 religiosas deste mosteiro, particularmente abundante em místicos, cujas virtudes pretende exaltar, por forma a estimular os mais jovens. Este texto parece ser a primeira obra biográfica escrita em língua alemã e um dos grandes textos sobre o lugar das mulheres na vida espiritual.

Reuniu também uma série de cartas escritas por Suso, dirigidas a diferentes irmãs, sob o título de Grand Livre des Lettres, dando assim a conhecer melhor o pensamento do místico germânico.

Elisabeth Stagel parece fascinada pelas austeridades e grandes penitências, o que levará Suso a moderá-la. A Paixão de Cristo, os seus sofrimentos, estão no centro da espiritualidade de Elisabeth. Deseja imitar este Cristo por amor, sofrendo através das macerações, identificar-se com a humanidade de Cristo na Cruz e, por meio disso, desapegar-se das mundanidades. Apela, pois, ao abandono da vontade própria através do sofrimento e, assim, a uma vida de humildade absoluta. É sensível ao maravilhoso, que atribui ao amor de Cristo. Em tudo isto, apresenta-se como divulgadora do pensamento de Henri Suso.

 

Bibliog.: VILLER, Marcel et al., Dictionnaire de Spiritualité, t. 4, Paris, Beauchesne, 1932-1995, col. 588; COGNET, L., Introduction aux Mystiques Rhéno-flamands, Paris, Desclée, 1968; SUSO, H., Œuvres Complètes, ed. J. Ancelet-Hustache, Paris, Seuil, 1977.

 

Jean-Claude Lavigne

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